BNDES acelera venda de ações e processo de redução da carteira se aproxima da metade

Fernanda Guimarães

07 de agosto de 2020 | 09h18

Após  ter diminuído sua carteira de renda variável em cerca de R$ 35 bilhões em um ano, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) está se aproximando da metade do trajeto que se propôs a percorrer. O impulso veio nesta semana, com uma operação histórica, ao vender em um leilão em bolsa de valores ações da Vale, que somou R$ 8,1 bilhões, o maior “block trade” já feito em todo o Hemisfério Sul. Na fila para desinvestimento estão uma série de ações, como Petrobras, Klabin, Suzano, e aindaa própria Vale, visto que o banco de fomento ainda possui quase 4% do capital da empresa.

O diretor de privatizações do banco de fomento, Leonardo Cabral, destaca que não há pressa para tais vendas e que a decisão, assim como a ordem dos desinvestimentos, será tomada de acordo com o preço dos ativos. Foi assim com a Vale, disse, que mesmo em meio à pandemia, na esteira de preços robustos do minério de ferro, estava com o preço da ação próximo ao da máxima histórica. “O BNDES sempre avalia várias hipóteses, e no caso da Vale o mercado se mostrou confortável para uma venda em leilão”, comentou, em entrevista ao Broadcast.

O banco estava avaliando a venda de parte de sua participação na mineradora desde março, contou, e com a retomada rápida dos preços o banco enxergou uma oportunidade de seguir adiante com a operação. O Bank of America, que comandou a transação, começou oferecendo ao mercado 100 milhões de ações, mas acabou vendendo 135 milhões, diante da elevada demanda identificada. O restante da venda dos papéis da mineradora, que ainda estão na carteira do BNDES, não ocorrerá no curto prazo, visto que o banco se comprometeu a não fazer nenhuma venda desse papel em um prazo de 90 dias. Após novembro, o banco terá ainda disponível para venda a parcela de ações da Vale que está presa ao acordo de acionistas, que deixará de vigorar.

Ao todo, desde a metade do ano passado, o BNDES já vendeu ações de 18 empresas que estavam em seu portfólio. A forma de saída foi variada, comentou o executivo, indo desde vendas em mesa de operações, a exemplo da Light, ofertas de ações, como em Petrobras e Marfrig, e agora um “block trade”, com a Vale. “Sempre conversamos sobre a melhor opção”, destacou.

Se aproximando da metade de seu caminho de enxugamento da carteira de renda variável, o diretor do BNDES dá o recado que a venda multibilionária das ações preferenciais da Petrobras, por exemplo, não ocorrerá mediante os preços atuais: a ação acumula queda de 23% em 2020. No cronograma do banco está vender tais ações da carteira até o fim de 2022. “Não venderemos a qualquer preço”, diz.

Com várias opções em mãos, o diretor do BNDES afirma que o banco pode acabar preferindo uma venda via oferta de ação, caso seu sócio na companhia alvo queira aproveitar o ensejo para realizar uma captação, como ocorreu com a Marfrig, no fim do ano passado. No total, o BNDES tem em sua carteira quase 30 empresas de capital aberto.

Cabral destaca que na carteira de investimentos do banco há ainda empresas de capital fechado, já com porte para uma oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês), e que essa pode ser a alternativa para o desinvestimento caso o sócio da empresa assim desejar. “É uma análise caso a caso”, frisou.

O movimento de saída do BNDES das grandes companhias ocorre após anos do banco de fomento se firmar como um grande investidor naquelas que ficaram conhecidas como “campeãs nacionais”. Ao se despedir do capital de grandes empresas, o BNDES olha agora para outro tipo de participação no mercado. “Investimento com capital social”, segundo o executivo. No radar estão Fundos de Direito Creditórios (Fdics), infraestrutura e investimentos em médias empresas.

Feito histórico

“Esse foi o maior block trade do Brasil e do Hemisfério Sul, além de ser o sexto maior bloco de ações vendido no setor de mineração e siderurgia da história”, comentou o chefe do banco de investimento do Bank os America, Hans Lin, ao Broadcast.

O Bofa levou a operação bilionária ao oferecer uma garantia firme de venda com um desconto de 2,5% em relação ao preço da ação da Vale na segunda-feira – um dia antes da operação. A venda, contudo, saiu sem nenhum desconto em relação a essa data. O leilão, que durou cerca de uma hora e meia, já no início do pregão, contou com um esforço de toda a plataforma global do Bofa. “Colocamos uma máquina inteira para trabalhar”, disse.

Esta reportagem foi publicada no Broadcast+ no dia 06/08/2020 às 18:35 .

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