BNDES e SumUp criam FDIC de R$ 230 milhões exclusivo para microcrédito

BNDES e SumUp criam FDIC de R$ 230 milhões exclusivo para microcrédito

André Jankavski

12 de novembro de 2021 | 05h30

 

Recurso deve chegar a até 370 mil microempreendedores; na foto, rua 25 de Março  Foto:  ALEX SILVA/ESTADAO

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a fintech SumUp acabam de criar um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) de R$ 230,7 milhões direcionado para o crédito de micro e pequenas empresas. A parte do BNDES será de R$ 200,7 milhões anunciados no ano passado, enquanto a SumUp entra com R$ 30 milhões. Segundo as instituições, o valor deve chegar a até 370 mil microempreendedores e o valor médio dos empréstimos deve ser de R$ 2,8 mil.

A fatia do BNDES faz parte dos R$ 4 bilhões do programa Seleção de Fundos de Crédito para Micro, Pequenas e Médias Empresas, anunciado no ano passado e esse novo fundo, chamado de FIDC Brasil Microcrédito, é o quinto contratado por meio de chamada pública. Anteriormente, as companhias CashMePlural, Captalys, SRM e Cielo já receberam recursos, mas que não tinham o microcrédito como principal alvo.

De acordo com o diretor de participações, mercado de capitais e crédito indireto do BNDES, Bruno Laskowsky, apesar do fundo ter a duração de seis anos, esse valor pode dobrar nos próximos meses, caso a concessão de crédito tenha adesão. “Esse valor de R$ 230 milhões é a primeira tranche. Começamos com valores menores e vamos azeitando a máquina”, diz.

Esse fundo também representa a entrada da SumUp no segmento de crédito. Nos últimos anos, a fintech tem buscado atuar no mercado de micro e pequenos negócios através de maquininhas de pagamento e também estão entrando nas contas digitais. Em março deste ano, a subsidiária brasileira recebeu R$ 1,3 bilhão da matriz alemã para expandir os negócios por aqui.

De acordo com Leonardo Vieira, diretor de crédito da SumUp, o novo dinheiro que vai entrar era o que faltava para a empresa enveredar por esse caminho de crédito, algo que também está acontecendo nas suas operações em outros países. Segundo ele, a ideia da companhia é que 30% de sua base global acesse os produtos de crédito, porcentual similar ao que a operação brasileira espera. Globalmente, a empresa conta 3 milhões de clientes.

Juros

Mesmo com o movimento de alta da Selic, a taxa básica de juros, tanto o BNDES quanto a SumUp dizem que a taxa de juro dos empréstimos não passará de 3,5% ao mês. Porém, altas no futuro não são descartadas. “Estamos em um nível confortável com essa taxa, mas temos que ver onde o CDI vai parar. Mas o que queremos é oferecer o crédito mais barato possível”, diz Vieira.

As pessoas aptas para receberem o crédito precisarão ser clientes da SumUp há pelo menos três meses e passarão por um processo de aprovação. Porém, para acelerar essa burocracia, a SumUp quer já deixar o crédito pré-aprovado nos aplicativos dos clientes. A empresa promete 60 dias de carência para o pagamento da primeira parcela.

Para Laskowsky, do BNDES, o banco deve continuar com iniciativas como essa e, segundo ele, trata-se de algo fundamental para que a taxa de juros para o consumidor final seja a mais baixa possível. “Queremos desconcentrar o crédito bancário no Brasil e de 75% a 85% ainda está na mão dos grandes bancos. Vamos continuar fazendo essas chamadas para FDICs, pois é um instrumento robusto para incentivar o crédito”, diz ele.

Impacto social

Para os dois executivos, foi criada uma série de metas sociais a ser cumpridas durante o período de vigência. Entre eles, está a quantidade de operações, beneficiários, desenvolvimento econômico de regiões como o Norte e Nordeste (que devem receber uma fatia relevante do valor total), índice de desenvolvimento humano, entre outros.

“Definimos os indicadores junto na BNDES e as metas estão bastante distribuídas ao longo do Brasil e, para nós, é essencial medirmos o impacto que vamos ter”, afirma Vieira, da SumUp.

Esta nota foi publicada no Broadcast+ no dia 11/11, às 09h43.

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