BNDESPar acusa JBS de proteger irmãos Batista e pede ação judicial

BNDESPar acusa JBS de proteger irmãos Batista e pede ação judicial

Irany Teresa

28 de outubro de 2020 | 05h30

O caldo deve entornar na assembleia de acionistas da JBS nesta sexta-feira. O BNDESPar, braço de investimentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e acionista minoritária da companhia de carnes, acusa os administradores de recorrer a subterfúgios para proteger os irmãos e controladores, Wesley e Joesley Batista, de uma ação judicial. Em duras críticas à atuação da gestão, o BNDESPar fala em regressão de conquistas em governança corporativa, no processo de reabilitação, após o escândalo protagonizado pela JBS. “A inauguração de uma verdadeira nova fase de profissionalismo e independência depende da disposição de resolver as questões do passado, especialmente as de cunho penal, com quais a JBS ainda convive”, diz a carta de intenção de voto.

Forte. No voto, o banco por pouco não classifica como conivência a tentativa da empresa de esvaziar a exigência de reparação de danos pelos controladores, que confessaram publicamente a prática de crimes “à custa da companhia”.

Ebulição. O banco diz que os ex-administradores não podem sair incólumes. O BNDESPar pede a imediata ação de responsabilidade contra Wesley e Joesley para ressarcir a JBS dos prejuízos causados à companhia por administradores, ex-administradores e controladores envolvidos nos atos ilícitos confessados por eles em acordos de delação premiada. Também pede ação de responsabilidade contra os ex-administradores Florisvaldo Caetano de Oliveira e Francisco de Assis e Silva.

Discórdia. O banco tentou retirar do documento distribuído pela empresa o item que designa que, caso a proposta de ação indenizatória na Justiça saia vencedora, caberá a uma outra votação, mais ampla, decidir, na mesma assembleia, de que modo isso se dará.

Posição. Em carta de oito páginas enviada ao banco, a JBS afirmou que nenhum acionista pode retirar de pauta um item do qual discorda “sob pena de suprimir o direito dos demais investidores de se manifestarem sobre a matéria”. Disse ainda que há riscos como a reação negativa que isso poderia causar entre os investidores, e os impactos à estabilidade do negócio e à preservação da reputação da companhia. Para ela, a empresa sairá beneficiária dos procedimentos de arbitragem em curso.

Tá pago. Entre os controladores da JBS há, inclusive, uma movimentação para lembrar que a J&F, controladora da companhia, arcou com uma multa de mais de R$ 10 bilhões, após a delação dos irmãos Batista. No procedimento, a JBS não teve ônus, foi beneficiária. Procurados, o BNDESPar e a JBS não comentaram.

 

 

Esta reportagem foi publicada no Broadcast+ no dia 27/10/2020 às 11:45:21 .

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