BofA vê queda no interesse de novos estrangeiros por fusões e aquisições no Brasil

BofA vê queda no interesse de novos estrangeiros por fusões e aquisições no Brasil

Altamiro Silva Junior e Cynthia Decloedt

13 de maio de 2022 | 05h40

Gol e Avianca criaram a holding Abra, que controlará as duas empresas  Foto: Fábio Motta/Estadão

O mercado de fusões e aquisições (M&A, na sigla em inglês) continua aquecido no Brasil, mas uma análise do Bank of America (BofA) mostra que estão escasseando operações em que novos investidores estrangeiros entram no mercado brasileiro. Os gringos seguem marcando presença nos negócios, como o visto na quarta-feira (11) na criação da holding da Avianca com a Gol, mas em sua grande maioria são de companhias com experiência em Brasil ou América Latina.

Segundo o responsável por fusões e aquisições do Bank of America no Brasil, Diogo Aragão, no início da década de 2000, era comum ver grandes grupos estrangeiros comprando empresas ou participações em companhias locais para entrar na região. De lá para cá, esse tipo de transação minguou.

O BofA resolveu fazer o levantamento da participação de novos estrangeiros no Brasil quando o grupo Ultra o contratou para fazer a venda da Oxiteno, no começo de 2021. Os ativos ficaram com o grupo tailandês Indorama Ventures, por US$ 1,3 bilhão. Foi um dos raros negócios grandes dos últimos 5 ou 6 anos a atrair um novo estrangeiro para o Brasil, de acordo com Aragão.

Maior interesse é de grupos estrangeiros já estabelecidos no País

As transações que têm ocorrido no Brasil continuam grandes, mas são muito mais de companhias estrangeiras já estabelecidas que estão aumentando presença aqui. Ele cita como exemplo recente, a venda da Oi móvel para Tim, Vivo e Claro. São estrangeiros que além de estarem País há anos, têm uma fatia grande de seu faturamento mundial proveniente da operação brasileira. Ou seja, não poderiam deixar passar um negócio desse tamanho.

O maior ceticismo dos estrangeiros é reflexo de uma série de fatores. Ambiente político conturbado, desempenho econômico fraco, dúvidas regulatórias e câmbio muito volátil estão entre as explicações que deixam o Brasil menos atrativo na comparação com outros emergentes.

Se não entram no País via M&As, porém, muitos estrangeiros estão optando por vir via fundos, com aportes em empresas nascentes principalmente de tecnologia.

Como historicamente anos eleitorais são marcados por retração de negócios, a previsão é que as operações de M&A continuem, mas 2022 deve ser marcado por transações menores. A menos que a operação seja inadiável, a tendência é de o empresário engavetar por ora grandes movimentos, à espera de um ambiente menos volátil.

 

Esta nota foi publicada no Broadcast no dia 12/05/22, às 08h03

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