Box Delivery busca aporte de US$ 10 mi, mas precisa superar dúvida da ‘última milha’

Box Delivery busca aporte de US$ 10 mi, mas precisa superar dúvida da ‘última milha’

Circe Bonatelli

25 de fevereiro de 2022 | 05h40

Segmento de entregas é disputado por grandes  como iFood e Rappi   Foto: Tiago Queiroz/ Estadão

A Box Delivery, startup de entregas rápidas nas grandes cidades, iniciou rodas de conversas com fundos de investimentos em busca de US$ 10 milhões para ampliar as suas operações. A expectativa é concluir a captação até a metade do ano.

Mas para isso terá que convencer os donos dos cheques que ainda é um bom negócio aportar em startups especializadas no last mile – jargão que se refere à pernada final na cadeia logística, com o envio dos itens até a casa dos consumidores em poucas horas.

Trata-se de um setor onde há empresas gigantes como iFood, Rappi e Loggi espremendo concorrentes. No fim do ano passado, a Delivery Center não suportou a pressão e encerrou as atividades. A startup fazia entregas de lojistas de shoppings e havia recebido mais de R$ 100 milhões de grupos experientes no varejo, como BRMalls, Multiplan, SYN (antiga CCP), Bloomin’Brands (dona do Outback) e José Gallo (ex-CEO da Renner).

Por sua vez, a Box Delivery foi fundada em 2016 pelo empreendedor Felipe Criniti. No ano passado, a startup atraiu R$ 30 milhões de aportes encabeçados pela empresa de shoppings Aliansce Sonae, seguida pelo Grupo Trigo, dono do Spoleto. As sócias ficaram com uma fatia minoritária e uma cadeira no conselho de administração cada. O fundador permaneceu no controle, com três assentos. Mesmo com a captação de US$ 10 milhões, seguirá majoritário.

“A nossa diferença para a Delivery Center é que lá criaram um negócio de entrega dependente das vendas dos shoppings. Nós já nascemos com capilaridade”, argumenta Criniti. Outro problema da Delivery Center, na sua avaliação, foi ter ficado muito ‘inchada’, com cerca de 500 funcionários, enquanto a sua empresa consegue operar com só 130 pessoas. Também teria pesado negativamente o fato de o fundador e responsável pela concepção da Delivery Center, Andreas Blazoudaki, ter sido reduzido a um sócio minoritário por lá.

Tamanho das operações e das metas

A Box Delivery está em 153 cidades e 22 Estados, realizando 1 milhão de entregas por mês. Tem mais de 9 mil estabelecimentos cadastrados e seus principais clientes são Mc Donald’s, Madero, Spoleto, Koni, LeBonton, Bob’s, China in Box, Gendai, Mania de Churrasco, Subway, LivUp, Swift e RaiaDrogasil.

A meta é atingir 4 milhões de entregas até o fim do ano. O salto virá da parceria com a Aliansce Sonae para implantar hubs de despacho de mercadorias nos 38 shoppings administrados pela empresa. Os primeiros 16 estão entrando em operação agora, e todos os 38 devem estar prontos até dezembro, segundo Criniti.

O faturamento da Box Delivery cresceu de R$ 4 milhões em 2019 para R$ 14 milhões em 2020 e chegou a R$ 62 milhões em 2021. Neste ano, tem a meta de bater nos R$ 294 milhões. Atualmente, 70% disso vêm das entregas de comida, e 30%, de bebidas e remédios. Com a entrada dos shoppings, as fontes de receitas vão se diversificar, e a alimentação deve cair para 50%, cedendo espaço a calçados, vestuários e eletrônicos.

“Nós nascemos fazendo entregas externas à dos shoppings e temos um range maior e consolidado na carteira de clientes. Os shoppings serão incremento, não a base da receita”, observa o fundador do negócio.

Criniti também argumenta que a startup não concorre diretamente com os aplicativos consagrados usados para se pedir comida. A sua atuação está concentrada na logística da entrega rápida, o que muitas vezes é deficitária em certas cidades e bairros, bem como em horários de pico – abrindo muitas oportunidades para crescer.

Outra via esperada de crescimento são as lojas e restaurantes que estão criando seus próprios canais de vendas em vez de depender desses aplicativos. “Na Box Delivery queremos ser o principal parceiro dessas marcas”.

 

Esta reportagem foi publicada no Broadcast no dia 22/02/22, às 15h57.

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