BR Partners pode puxar fila de novas ofertas de ações de empresas ao varejo

BR Partners pode puxar fila de novas ofertas de ações de empresas ao varejo

Altamiro Silva Junior

06 de janeiro de 2022 | 05h15

Ao menos três empresas que usaram a 476 planejam nova oferta neste início de ano  Foto: Gabriela Biló / Estadão

A oferta subsequente de ações (do inglês, follow on) do BR Partners para ajustar a liquidez dos papéis do banco de investimento junto a pequenos investidores de varejo pode puxar uma fila de operações semelhantes nas próximas semanas. Empresas que fizeram,  a partir de 2020, abertura de capital usando a instrução 476, que permite oferta de ações apenas para grandes investidores, podem ter que ir a mercado para equacionar o mesmo problema, fazendo operações para atrair pessoas físicas não tão abastadas.

Foram 12 ofertas por meio da instrução 476 desde 2020. Entre elas, a Vamos, subsidiária de locação de caminhões da holding Simpar, a 3Tentos e a Agrogalaxy, ambas ligadas ao agronegócio, a rede de hospitais Kora Saúde, a empresa de soluções digitais para e-commerce Infracommerce, a companhia de empreendimentos imobiliários HBR Realty e a Dotz, de programas de fidelidade.

Ao menos três empresas que utilizaram a 476 recentemente, segundo banqueiros de investimento, planejam follow on de pequeno valor neste começo de 2022, nos moldes da operação do BR Partners, que é de R$ 5 milhões, apenas para permitir que o investidor de varejo entre na base de acionistas da companhia.

Regra veta investidor não qualificado

A instrução 476 da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) permite uma oferta restrita, para no máximo 50 investidores qualificados, aqueles com ao menos R$ 1 milhão em patrimônio investido. Outra limitação é que após a listagem na B3, por 18 meses, apenas investidores qualificados podem negociar a ação. Contudo, as corretoras estavam permitindo que pessoas físicas e outros investidores não considerados qualificados negociassem essas ações, sem o conhecimento da CVM e da B3. Pelas regras, são as corretoras que devem monitorar se quem participa da oferta pública respeita os critérios.

Quando a B3 tomou conhecimento da prática, segundo as fontes, entrou em contato com as corretoras e distribuidoras e pediu o cumprimento da regra da CVM. Assim, as corretoras chegaram a travar negociações com papéis de emissões feitas pela 476. Um efeito colateral do enquadramento, porém, foi uma distorção na liquidez dos papéis. O investidor não qualificado que comprou o papel poderia manter a ação ou vendê-las, mas não poderia comprar mais papéis. Ou seja: na compra de novos papéis, só qualificados; na venda, o investidor não qualificado e qualificado. Isso fez as ações de algumas empresas despencarem.

 

Esta nota foi publicada no Broadcast+ no dia 05/01/22, às 16h45.

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