Braskem deve retomar oferta de ações perto de entrar no Novo Mercado

Braskem deve retomar oferta de ações perto de entrar no Novo Mercado

Altamiro Silva Junior e Cynthia Decloedt

20 de fevereiro de 2022 | 05h20

Desconto pedido por investidor levou à suspensão da oferta em janeiro   Foto: Daniel Teixeira/AE

A oferta bilionária de ações da Braskem, que pertencem à Petrobras e à Novonor (ex-Odebrecht), pode ser retomada ainda neste primeiro semestre com detalhes da migração da petroquímica para o Novo Mercado ou mesmo com a empresa já nesse segmento. O plano inicial era fazer a venda de uma parte dos papéis em fevereiro e depois voltar à bolsa quando a companhia já estivesse no segmento da B3 com as melhores práticas de governança corporativa. Segundo fontes, porém, a falta de clareza sobre esse processo foi um dos pontos que dificultou a operação no início do ano, que acabou sendo cancelada. O outro motivo do cancelamento da venda dos papéis via mercado foi justamente o desconto pedido pelos investidores no preço dos papéis, não aceito pelos bancos credores e detentores das ações que pertencem à Novonor na petroquímica.

Os termos para a migração ao Novo Mercado são um fator importante para tirar uma incerteza, na visão de um banqueiro de investimento. Como a oferta era só de ações preferenciais (PN, sem direito a voto), havia falta de clareza, por exemplo, sobre como seria a relação de conversão para as ordinárias (ON, com direito a voto).

Assembleia especial

Resolvido esse ponto, os argumentos para forçar o preço da ação para baixo podem diminuir. De toda a forma, a operação ainda tende a ser marcada pelos investidores tentando reduzir o preço das ações, pois além de a oferta ser 100% secundária, a Novonor precisa vender os papéis para pagar os bancos credores.

Em um passo importante para a migração ao Novo Mercado, no próximo dia 25, a Braskem faz assembleia especial com os acionistas para discutir a conversão de ações PN classe “B” em papéis classe “A”, na razão de dois por um. Se aprovada, essa operação ajuda a simplificar a estrutura de capital da petroquímica e abre caminho para o próximo passo, a conversão das PN em ON, que vai precisar de nova assembleia.

Na oferta abortada no fim de janeiro, a expectativa era movimentar R$ 8 bilhões na B3 e no exterior, onde ações da companhia também estarão sendo ofertadas, por meio de ADSs (American Depositary Shares, na sigla em inglês). Segundo um dos envolvidos na operação, havia demanda forte de estrangeiros, mas o pedido de desconto foi aumentando na reta final de definição do preço.

Duas complexidades dificultaram a concretização do negócio: não havia oferta prioritária, a que é reservada aos acionistas atuais (até porque eles são os vendedores), e se buscava 100% de investidores novos. Também havia a necessidade dos recursos da Novonor para pagar credores e eles davam a palavra final sobre o preço.

Procuradas, a Petrobras e a Novonor não comentaram.

 

Esta nota foi publicada no Broadcast no dia 18/02/22, às 16h37.

O Broadcast+ é uma plataforma líder no mercado financeiro com notícias e cotações em tempo real, além de análises e outras funcionalidades para auxiliar na tomada de decisão.

Para saber mais sobre o Broadcast+ e solicitar uma demonstração, acesse.

Contato: colunabroadcast@estadao.com

Tudo o que sabemos sobre:

braskemfollow onaçõesnovonorpetrobrás

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.