Braskem se ajeita para venda, com foco em melhorar imagem, valor e rating

Cynthia Decloedt

09 de agosto de 2020 | 05h00

Polo petroquímico da Braskem em Santo André FOTO DANIEL TEIXEIRA/AE

A Braskem está empenhada em uma “arrumação de casa” que, além de beneficiar a petroquímica para reverter as adversidades em seu negócio trazidas pela pandemia e pelos problemas na operação de sal-gema em Alagoas, a preparam para futura venda. Seus controladores, o Grupo Odebrecht, em recuperação judicial, e a Petrobras já conversam há algum tempo sobre o desinvestimento. Mas desde a desistência da LyondellBasell de ficar com o ativo em meados do ano passado, motivada pela crise em Alagoas, o valor de mercado da petroquímica despencou.

Foco. Durante conversa com analistas e investidores, os executivos da empresa, entre os quais o presidente empossado no ano passado, Roberto Simões, sinalizaram grande empenho, com um plano traçado, para recuperar o grau de investimento e levantar o valor de mercado da companhia. O plano de recuperação judicial da Odebrecht está basicamente alicerçado na venda de sua “joia da coroa”, pelo mesmo valor que quase fechou com a LyondellBasell, e lhe renderia cerca de R$ 18 bilhões. Esse é, porém, o valor de toda a companhia hoje em bolsa, por onde a Petrobras pretende conduzir sua saída da Braskem.

Devolve. Depois de perder o selo de boa pagadora em julho pelas três agências de classificação de risco, a Braskem sinalizou as mesmas uma série de medidas para voltar a ter o chamado grau de investimento. Entre elas, alongar o endividamento e reduzir o peso de suas dívidas em relação à sua capacidade de geração de resultado, ou alavancagem como se diz no mercado.

Como vai fazer. Para isso, neste último mês, já pré-pagou US$ 1 bilhão de um empréstimo obtido junto a vários bancos, e que venceria em 2023, e outras linhas menores com vencimento de curto prazo. Usou o dinheiro de uma captação com emissão de títulos de dívida (bonds) de US$ 600 milhões feita no mês passado, com característica pouco trivial. Ou seja, parte dos títulos, assim como as ações, não têm garantias de devolução do investido, minimizando o peso dessa nova dívida na alavancagem da empresa. Procurada a Braskem reiterou que está focada em gerar valor para seus acionistas, como sempre esteve.

 

Esta reportagem foi publicada no Broadcast+ no dia 07/08/2020 às 12:35 .

O Broadcast+ é uma plataforma líder no mercado financeiro com notícias e cotações em tempo real, além de análises e outras funcionalidades para auxiliar na tomada de decisão.

Para saber mais sobre o Broadcast+ e solicitar uma demonstração, acesse http://www.broadcast.com.br/produtos/broadcastplus/

Contato: colunabroadcast@estadao.com

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.