BRF pede a bancos para apresentarem propostas para venda de ativos

BRF pede a bancos para apresentarem propostas para venda de ativos

Economia & Negócios

11 Julho 2018 | 04h00

A BRF segue com seu processo para a contratação dos bancos de investimento que ficarão à frente da venda de ativos, conforme o plano de reestruturação anunciado pela processadora de alimentos. A empresa não fará, entretanto, um processo formal, com o envio dos chamados RFPs (request for proposals, em inglês), ou solicitação de propostas. A BRF está pedindo às instituições financeiras propostas comerciais para a venda de ativos específicos. Alguns enviarão sugestões para a venda de ativos na Europa, outros para Argentina e outros para Tailândia. Assim, a expectativa é que três bancos de investimento sejam contratados para assessorarem os desinvestimentos e a seleção deve ser finalizada em breve. A BRF tem como meta levantar, com esse programa, R$ 5 bilhões, baixando a alavancagem, medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) para 4,35 vezes até o fim deste ano – no fim do primeiro trimestre, estava em 4,44 vezes.

Probabilidade. Com uma dívida de cerca de R$ 20 bilhões e com R$ 4,5 bilhões a vencer neste ano, a BRF já chamou os principais bancos credores – Bradesco, Itaú Unibanco e Banco do Brasil – para renegociar os vencimentos. Há, assim, chance de que esses bancos abocanhem os mandatos para a venda dos ativos.

Mesversário. O presidente da BRF, Pedro Parente, está prestes a completar um mês na chefia da companhia. O executivo assumiu a cadeira dias depois de pedir demissão da Petrobrás, como consequência da greve dos caminhoneiros, que questionou a política de preços adotada pela petroleira.

2 em 1. O executivo ainda acumula a presidência do Conselho de Administração da BRF. A empresa tem suas ações listadas no Novo Mercado, segmento de mais elevadas exigências de governança corporativa da B3, cujo regulamento, contudo, veta acumulação de ambos os cargos. No entanto, a BRF já informou que esse acúmulo ocorrerá por um período de 180 dias. Segundo a empresa, essa possibilidade está prevista no regulamento do novo mercado. Depois disso, a companhia pretende chamar assembleia para estender tal acumulação por um ano.

Brecha. No regulamento, a acumulação é possível desde que ocorra em caso de vacância do cargo, sendo que a empresa precisa, em um prazo de 60 dias, anunciar as providências que estão sendo tomadas para acabar com tal acumulação, que não pode durar mais do que um ano. José Aurélio Drummond Jr. renunciou ao cargo de presidente executivo da BRF no fim de abril. Parente foi eleito presidente do conselho da empresa no dia 26 de abril, três dias após a renúncia e quando ainda estava na Petrobrás. Procurada, a BRF não comentou.

Fórmula. O plano de desinvestimentos foi também uma fórmula utilizada por Parente na Petrobrás. O plano anunciado era de vender US$ 21 bilhões entre os anos de 2017 e 2018. Segundo dados divulgados no último demonstrativo financeiro da petroleira, no primeiro trimestre a Petrobrás tinha embolsado pela venda de ativos R$ 7,5 bilhões.

Para ver a Coluna do Broadcast sem o delay assine o Broadcast+ e veja todos as notícias em tempo real.

Siga a @colunadobroad no Twitter