Bricoflex compra dona da Majipack e quer se tornar consolidadora

Bricoflex compra dona da Majipack e quer se tornar consolidadora

Cristiane Barbieri

14 de novembro de 2021 | 05h15

Fábrica em Contagem (MG); empresa prevê faturar R$ 60 milhões em 2022    Foto: Samuel Gaudêncio/Bricoflex

“Tio, manda dinheiro que precisa comprar alumínio”. É dessa maneira que Samuel Gaudêncio, presidente da empresa de investimentos Purple Iguana Investments LLC, de Chicago, descreve a chamada de seu sócio, Eduardo Albuquerque, pouco antes de o mundo fechar por causa da pandemia. Fundador da companhia de adesivos Tekbond, vendida para a francesa Saint-Gobain em 2017, Albuquerque é um empreendedor nato – daqueles com faro e linguagem para negócios. Compra dos chineses há mais de 25 anos e entendeu rapidamente que o comércio global iria parar.

Foi como acionista da Bricoflex, que fundou no fim de 2019 para fabricar produtos descartáveis e de confeitaria, que pediu dinheiro para o insumo e andou alguns passos à frente da concorrência, que ficou sem material para fazer embalagens de alumínio. Esta semana, a empresa marcou nova posição após a compra da Inproco, dona da Majipack (de filmes de PVC), Chef Du Bom e Selecta Premium (ketchup, maionese e molhos), por valores não revelados.

Segundo Gaudêncio, a ideia é consolidar a Bricoflex como vice-líder em cada uma das categorias nas quais atua, por meio do fortalecimento das marcas e mais aquisições. “Vamos dobrar de tamanho todos os anos, nos próximos anos”, diz Albuquerque.

Consolidar posição

Mais do que novas marcas, a compra da Inproco foi feita para consolidar a posição da empresa junto ao varejo. Com mais itens, a estratégia é chegar ao varejo, distribuidoras, atacarejo e pequeno comércio.

Para Adalberto Viviani, sócio da consultoria Hariot, o movimento faz sentido porque ajuda a a Bricoflex a ganhar importância no distribuidor. Foi a mesma estratégia, utilizada em escala muito maior, evidentemente, pela Kraft Heinz, controlada pelo 3G Capital, do trio Jorge Paulo Lemann, Beto Sicupira e Marcel Telles, ao comprar a Hemmer e a BR Spices, em outubro.

Com a aquisição, a Bricoflex prevê faturar R$ 60 milhões no ano que vem. Surpreendentemente, ter aberto as portas um pouco antes da pandemia não foi de todo negativo. Com o isolamento, mais pessoas passaram a comprar embalagens para guardar comida e mais desempregados passaram a ganhar a vida com confeitaria e cozinhando para fora. Além do estoque maior trazido da China, a empresa comprou insumos dos concorrentes e conseguiu atravessar o período em relativo conforto.

 

Esta nota foi publicada no Broadcast+ no dia 12/11/21, às 19h00.

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