BRK E Corsan saem da fila e IPOs só devem voltar à B3 em 2023

BRK E Corsan saem da fila e IPOs só devem voltar à B3 em 2023

Altamiro Silva Junior

19 de julho de 2022 | 05h00

Seca de IPOs deve completar um ano na B3.  Foto: Daniel Teixeira/Estadão

 

As chances de alguma oferta inicial de ações decolar neste meio de ano foram por água abaixo semana passada. A forte volatilidade nos mercados, doméstico e internacional, fez a BRK Ambiental cancelar sua abertura de capital (IPO, na sigla em inglês), de acordo com fontes. A oferta poderia movimentar R$ 2 bilhões e ser uma das raras no Brasil este ano. Pouco antes, a Corsan, estatal de saneamento do Rio Grande do Sul, havia feito o mesmo movimento. Banqueiros de investimento acham que esse tipo de operação só deve voltar em 2023.

Após a Eletrobras conseguir captar R$ 33 bilhões em junho, em uma das maiores ofertas de ações do mundo este ano, havia a expectativa de que empresas mais tradicionais, com fluxos de caixa previsível, como é o setor de energia e saneamento, conseguissem fazer um IPO. Mas o clima azedo do mercado não deixou. Segundo uma fonte de um banco, “não há chance de IPO nesse ambiente”. Para ele, “talvez” no começo de 2023 a janela se reabra, se houver maior clareza sobre a inflação mundial e os rumos da política monetária dos principais bancos centrais – Federal Reserve e Banco Central Europeu.

Seca de IPOs deve completar um ano

Os dois últimos IPOs no Brasil foram em agosto de 2021, quando a Raízen e a Oncoclínicas estrearam na B3. Seca como essa, só foi vista em 2015 e 2016, anos da crise política que levaram ao impeachment de Dilma Rousseff.

A BRK pertence à canadense Brookfield, dona de uma fatia 70% por meio de um fundo, e à Caixa Econômica Federal, que tem os 30% restantes, via FI-FGTS. No fim de maio, a BRK comunicou os planos do IPO, após ensaiar fazer a operação no ano passado.

Naquele momento, seria uma forma de a Caixa desfazer de suas ações. Para tentar emplacar a operação, a oferta da BRK agora seria toda primária, quando os recursos vão ao caixa da empresa. O dinheiro seria usado para bancar participações em licitações de concessões e parcerias público-privadas (PPPs).

Tanto na Corsan como na BRF havia resistência do governo em aceitar um preço mínimo para a venda dos papéis. O Tribunal de Contas do Rio Grande do Sul não concordou com o preço e barrou a operação. Na BRK, a Caixa contabilizava sua fatia da empresa no balanço em R$ 3,2 bilhões, considerando o fechamento de 2021, o que dá a companhia um valor total de R$ 10 bilhões e pouca margem de negociação de preços das ações com investidores.

 

Esta nota foi publicada no Broadcast  no dia 18/07/22, às 09h29

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