BTG cria fundo de R$ 540 mi para comprar empresa de alta governança

BTG cria fundo de R$ 540 mi para comprar empresa de alta governança

Célia Froufe e Altamiro Silva Junior

10 de setembro de 2021 | 05h11

Interesse por fundos de impacto, como o criado pelo BTG, cresceu na  pandemia FOTO:WERTHER SANTANA/ESTADÃO

O BTG Pactual está buscando empresas de alta governança, com porte médio e algum tempo de estrada, para comprar. O banco criou seu primeiro fundo de impacto e conseguiu captar R$ 542 milhões em uma oferta pública. A estratégia é alocar por volta de R$ 80 milhões por companhia, desde que sejam transformadoras e, especialmente, atuem em setores como saúde, educação, gestão de resíduos, energia renovável e agronegócio sustentável.

Duas empresas já receberam recursos do BTG. Uma foi a Gran Cursos, de Brasília, de educação pela internet. A segunda foi a Siagri, de software para o agronegócio, que está em processo de fusão com a Datacoper, em uma operação auxiliada pelo fundo.

Nessas e nas próximas companhias que o BTG investir, a ideia é ter participação minoritária, mas ao mesmo tempo relevante. Pelo regulamento, o fundo não pode ter mais de 25% de seu capital alocado em uma única companhia.

Impacto positivo

Fundos de impacto são aqueles voltados para companhias que tenham, além de boa governança, fontes de renda e lucro em atividades que impactam positivamente a sociedade e o meio ambiente. O nicho não é necessariamente novo no Brasil, mas ganhou mais interesse durante a pandemia.

O movimento foi deflagrado entre os endinheirados pelo mundo. Aos poucos, começa a ganhar espaço também entre investidores com menos recursos para aplicar. Primeiro do banco na área, o fundo do BTG permitiu investimento mínimo de R$ 100 mil, valor baixo para carteiras de participação, normalmente na casa dos milhões.

Segundo Alexei Bonamin, chefe da área de mercado de capitais de TozziniFreire Advogados, escritório contratado para estruturar a operação do BTG, esse tipo de produto será mais comum porque há busca dentro do “novo normal” para investimentos sustentáveis, além de questões intergeracionais e atividades relacionadas a uma economia de baixo carbono.

O primeiro fundo de impacto estruturado pelo TozziniFreire foi em 2012. “É interessante ver um banco do porte do BTG, o maior banco de investimento da América Latina, tendo demanda e uma área especializada para esse tipo de produto”, diz.

Diferentemente dos fundos sustentáveis ou de ESG (sigla em inglês para boas práticas sociais, de governança e ambientais), os de impacto não olham apenas em externalidades positivas. “O negócio da empresa tem de ter o propósito de resolver uma questão para o mundo de forma positiva”, afirma. O objetivo do fundo recente do BTG está aliado aos princípios sustentáveis do International Finance Corporation (IFC), do Banco Mundial, e da ONU (Organização das Nações Unidas). Algumas gestoras já se aventuraram em desbravar esse território no Brasil, como XP, Constellation, JGP, Fama, Faro e Warren.

 

Esta nota foi publicada no Broadcast+ no dia 09/09/2021 às 16h35.

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