BTG e XP surfam ‘riqueza’ da pandemia e registram resultados recordes no trimestre

BTG e XP surfam ‘riqueza’ da pandemia e registram resultados recordes no trimestre

Cynthia Decloedt

11 de agosto de 2021 | 13h11

As duas instituições financeiras disputam investidores e profissionais  Foto: Paul Yeung/ Bloomberg

Embora na maior parte do tempo BTG Pactual e XP estejam no ringue disputando investidores e profissionais da área de consultoria de investimento, ambos se encontraram neste segundo trimestre. As duas instituições financeiras registraram lucros recordes no período, superior à casa de R$ 1 bilhão, como resultado de crescimento expressivo de receitas, para além dos R$ 3 bilhões. O total de ativos sob custódia superou R$ 800 bilhões.

Ao divulgar seu balanço na terça-feira, o BTG mostrou ainda que no segundo trimestre alcançou ingresso líquido de recursos de R$ 98 bilhões, outra marca histórica, com recordes nas entradas nas áreas de administração de ativos (asset management) e de fortunas (wealth). A consequência foram receitas nunca vistas nas duas áreas, como reflexo da abundância de recursos disponíveis no mercado, na esteira de medidas adotadas em todo mundo para responder à pandemia.

Outro número que ilustra tal liquidez está na atividade do banco de investimento do BTG, onde a instituição origina operações de mercado de capitais para empresas e presta consultoria para fusões e aquisições. As receitas neste segmento de negócios triplicaram no segundo trimestre em relação ao mesmo período de 2020 e alcançaram R$ 685 milhões.

“Tivemos o melhor trimestre da nossa história, com resultados expressivos em todas as linhas de negócios”, disse o presidente do BTG Pactual, Roberto Sallouti. Os números surpreenderam também analistas do mercado. Jorg Friedemann e Gabriel Nóbrega, do Citi Brasil, comentaram em relatório para clientes que todas as linhas de receita superaram as expectativas “por uma grande margem”.

Na semana passada, a XP também comemorou números históricos no período. “Ultrapassamos a marca de R$ 1 bilhão em lucro líquido e tivemos em um trimestre o mesmo resultado de dois anos atrás, em todo o ano de 2019”, comentou o diretor financeiro da XP, Bruno Constantino.

Olhando para o cenário à frente, que tende a ser pontuado por maiores desafios, dada a perspectiva maior volatilidade, com disputas políticas pré-eleitorais e potencial aumento do risco fiscal, os dois concorrentes são otimistas.

O discurso do “financial deepening”, que pode ser traduzido como um amadurecimento dos investidores em educação financeira, esteve presente na boca dos porta-vozes de ambas instituições. Não só isso. Embora a tendência alta da Selic também seja vista como dada e possa afetar negócios em Bolsa, oportunidades relacionadas à renda fixa deverão compensar uma eventual queda de receita com ofertas de serviços e produtos de renda variável.

“Acreditamos que não vamos ter mudança de comportamento tão importante para frente. Deve ter ruído no segundo semestre, de fato, mas não deve ser suficiente para reverter a tendência de estabilidade econômica e da classe média que está poupando”, observou o sócio e diretor financeiro do BTG Pactual, João Dantas.

Pessoas físicas

Sallouti não deixou de marcar território, no entanto, ao longo das apresentações feitas sobre os números do banco. Desde que o BTG ingressou no segmento de pessoa física, atraindo agentes autônomos da XP e do mercado, existe um certo ruído nos bastidores sobre a forma de divulgação dos números relacionados aos ativos sob gestão e administração do banco. A dúvida no mercado é se o BTG engloba outros ativos que não são de pessoas físicas, numa tentativa de “engordar” os números e mostrar uma atração maior de clientes para sua nova plataforma digital.

“Na gestão de fortunas tivemos crescimento expressivo de 96% ano contra ano, para R$ 379 bilhões, de pessoas físicas em nossa plataforma. Não tem custódia de ações institucional ou captação de recursos institucionais”, disse.

A explicação foi feita mais de uma vez e Sallouti avançou ao ser pressionado por um analista para informar qual era o número de pessoas físicas que entraram por meio da plataforma digital. “Não vemos necessidade de abrir esse número para que haja uma melhor modelagem de rentabilidade por vocês”, afirmou, acrescentando que tal informação seria apenas de bom uso para a concorrência. “Tenho certeza de que somos o banco com o maior grau de transparência de informações, inclusive frente à concorrência”, frisou ainda.

Esta reportagem foi publicada no Broadcast+ no dia 10/08/2021 às 19h35

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