BTG usa peso de bancão em jogo de corpo contra fintechs

BTG usa peso de bancão em jogo de corpo contra fintechs

Cynthia Decloedt

12 de fevereiro de 2021 | 11h48

Mesa de operações do Banco BTG Pactual .FOTO:WERTHER SANTANA/ESTADÃO

O BTG Pactual acredita ter espírito digital e agilidade para competir com as fintechs e um cardápio parrudo o suficiente para entregar a acionistas e investidores retorno equivalente ao dos grandes bancos. A instituição entrou em 2021 com crescimento forte nas receitas de negócios nos quais apostou nos últimos anos. Entre elas, administração de recursos de alta renda e empréstimos a empresas, como reflexo dos investimentos feitos no Banco Digital. Com a entrada no segmento de varejo, com a criação do BTG+, a perspectiva é que chegou o momento da colheita.

“Atravessamos a arrebentação e agora vamos crescer”, afirmou o presidente do BTG Pactual, Roberto Saulotti. Nas conversas com analistas, investidores e a imprensa na terça-feira, após divulgar o resultado do quarto trimestre e do ano de 2020, ele disse que o BTG se encontra em uma posição única: alia a rentabilidade dos grandes bancos à capacidade de entregar mais rápido do que as fintechs um leque completo de serviços. Esse portfólio foi amarrado, de acordo com ele, com o BTG+, que vai atacar clientes com renda acima de R$ 5 mil.

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“Somos mais rápidos do que as fintechs monoprodutos porque eles captam os clientes para depois expandir para áreas que nos já temos”, afirmou Saulotti a jornalistas. “Nós capturamos o cliente e já temos uma oferta completa. Somos os únicos que conciliam a rentabilidade dos grandes bancos com o crescimento dos novos entrantes.”

Segundo ele, a expectativa é que em três anos o BTG+ chegue a 4,5 milhões de clientes ativos, o equivalente a 15% dos 30 milhões de pessoas com renda acima de R$ 5 mil. O número absoluto de clientes pode parecer pequeno se comparado aos apresentados pelas fintechs. Mas, para ele, outras novatas atraem pessoas de menor renda. É exatamente o público que o banco Pan, controlado pelo BTG, têm na mira: pessoas com renda abaixo de R$ 5 mil mensais e que somam um contingente de aproximadamente 150 milhões de brasileiros.

De qualquer forma, o BTG deve manter sua rota de aquisições, de olho tanto em crescimento quanto na complementariedade de serviços para sua plataforma, embora nenhuma transformadora. “Vamos buscar crescimento orgânico e inorgânico, não esperamos aquisições transformadoras, mas vamos seguir naquelas em que nos ofereça escala”, afirmou.

Presidente do banco diz que velocidade de concentração tem surpreendido

Para Sallouti, o que mais têm surpreendido não é a competição em si entre os grandes bancos e as fintechs, mas a velocidade com que têm ocorrido os movimentos de consolidação. Sem escala, a lucratividade fica mais difícil e, para ele, o banco têm sido assertivo em buscar escala em varejo com rapidez.

O BTG também não vê necessidade em expandir contratações em tecnologia. Este ano, de acordo com o diretor financeiro, João Dantas, o ritmo de busca de profissionais no mercado vai diminuir – a base de funcionários cresceu 37% em 2020. As contratações serão menores, provavelmente priorizando o atendimento, para dar sustentação à expansão do banco, que trouxe números maiores nas áreas de asset e wealth management e também de crédito corporativo.

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“O sucesso de nossa entrada no varejo de alta renda, por meio do BTG Digital, além de um maior participação de mercado no private, garantiram que a captação no segmento de wealth management subisse para R$ 63,2 bilhões em 2020”, disse Dantas. O número estava em torno de R$ 25 bilhões no fim de 2019. O crédito corporativo registrou o maior crescimento desde o IPO do banco. A meta é que essa carteira chegue a três vezes seu patrimônio, número que será revisto.

Juros baixo deve continuar impulsionando mercado de capitais

Para Saloutti, enquanto o juro real estiver entre 2% a 3% – ainda que nominal chegue a 6% – a “revolução” do mercado de capitais vai continuar. Ele disse estar otimista com a possibilidade de reformas e com a disciplina fiscal. Afirmou ainda que o mercado não criou um modelo adequado para medir o impacto positivo que os recursos captados via renda fixa ou variável terão no setor produtivo e nos investimentos na economia real.

Para ele, uma das grandes questões nesse momento é a possibilidade de o juro nos Estados Unidos começar a subir, com impacto adverso na liquidez para o Brasil e outros emergentes. “A economia dos EUA vai desempenhar muito bem e temos de estar atentos à política monetária”, afirmou.

Analistas gostaram dos resultados do BTG

Para o banco UBS BB, o lucro líquido do BTG Pactual no quarto trimestre, de R$ 1,2 bilhão (alta de 25% ante o mesmo período de 2019) divulgado esta semana veio bastante acima do consenso do mercado, sustentado por fortes receitas, principalmente nos segmentos do banco de investimentos e empréstimos, juntamente com queda nas despesas, o que resultou em um retorno de 19,1%.

“Não só as receitas foram fortes, mas as métricas operacionais também tiveram uma performance sólida, com expansão material no portfólio de crédito e de fluxos”, escrevem os analistas Thiago Batista, Olavo Arthuzo e Philip Finch. O relatório aponta que o segmento de crédito para pequenas e médias empresas (PME) como um destaque, com seu novo produto de recebíveis de cartão de crédito, o que fez com que o resultado de empréstimos do BTG subisse 40% na comparação trimestral.

Colaborou Felipe Laurence

 

 

Esta reportagem foi publicada no Broadcast+ no dia 09/02/2021, às 18:00:34.

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