BV estuda usar o próprio caixa para resgatar US$ 300 mi em bonds perpétuos

BV estuda usar o próprio caixa para resgatar US$ 300 mi em bonds perpétuos

Cynthia Decloedt

09 de fevereiro de 2022 | 16h50

Banco BV (antigo Votorantim). Crédito da foto: Solange Macedo/Divulgação

Banco não cogita manter o bond perpétuo   Foto: Solange Macedo/Divulgação

O BV está matutando qual o melhor caminho para exercer o resgate de US$ 300 milhões em títulos de dívida (bonds) perpétuos, que emitiu em 2017 no exterior. No fim deste ano, o banco tem a opção de recomprar o papel. Normalmente, as empresas lançam novos bonds para recomprar antigos. Mas com a disponibilidade de caixa e um colchão bastante saudável de capital, o BV não descarta usar um pouco de seu dinheiro para fazer o resgate.

O bond paga ao investidor juro anual de 8,25% em dólar, mais caro do que as outras fontes de recursos das quais tem captado. Se emitir um papel novo, provavelmente terá de oferecer remuneração um pouco maior para atrair os interessados.

A decisão, no entanto, não é tão simples. Não porque a dívida seja grande. Quando convertida em reais, representa menos de R$ 2 bilhões, em um universo de captações de R$ 80 bilhões provenientes de outras fontes, como CDBs e Letras Financeiras. O BV também tem excesso de liquidez de curto prazo, hoje o dobro do exigido pelo Banco Central.

Porém, ao se desfazer do bond perpétuo, o BV deixará para trás algumas vantagens. Esse título melhora a condição do capital da instituição, o chamado índice de Basileia, o que é recomendável para um banco com uma agenda de aquisições. Em 31 de dezembro, o BV mostrava um índice confortável (15,8%) e acima do pedido pelo BC (de 10,5% pela regra vigente a partir de janeiro). Também o bond perpétuo protege o capital dos bancos de maxidesvalorização cambial.

Manter o bond, já que é perpétuo, está fora de cogitação. Não é prática comum e pode comprometer imagem. O BV está discutindo intensamente o assunto. Mas não tem muito tempo. Isso porque, com as eleições presidenciais aqui e perspectiva de alta de juro lá fora, os custos para captação tendem a aumentar no segundo semestre.

 

Esta nota foi publicada no Broadcast no dia 09/02/22, às 15h20.

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