Caixa Cartões ganha tração rumo a IPO e está na reta final para sócio em maquininhas

Caixa Cartões ganha tração rumo a IPO e está na reta final para sócio em maquininhas

Aline Bronzati

25 de maio de 2020 | 10h41

Foto: ANDRE DUSEK/ESTADAO

A Caixa Cartões deve acelerar a estruturação de seus negócios diante da mudança do cronograma de aberturas de capital da Caixa Econômica Federal, que jogou a companhia para o início da fila. Debruçada em cinco negócios principais, a holding está na reta final da escolha de um sócio para a área de maquininhas. A decisão deve ser definida até meados de junho, enquanto o banco também avança na seleção de um parceiro para atuar com cartões pré-pagos.

Além de maquininhas e pré-pagos, cujos processos foram abertos antes da pandemia, mais duas joint ventures devem ser ofertadas ao mercado tão logo a turbulência dê uma trégua: uma no segmento de fidelidade e outra para atuar com contas de pagamento – similares às de fintechs. O único negócio fechado até o momento é para a criação de uma segunda bandeira de cartões, com a Visa, cujo contrato, antecipado pela Coluna do Broadcast, foi assinado em março, às vésperas da covid-19.

Em paralelo, a Caixa Cartões está migrando parte das operações que até então ficavam no banco público para a holding, constituída em janeiro. “Temos dado tração aos processos. Não dá para dizer que vamos andar quatro casas no tabuleiro, mas estamos buscando acelerar, resguardando condições pré-determinadas antes da pandemia para não termos prejuízo nesse sentido”, diz o presidente da Caixa Cartões, Júlio Cesar Volpp, em entrevista ao Estadão/Broadcast.

Cartões no começo da fila de IPOs da Caixa

De acordo com ele, há um cuidado para que a pandemia não gere algum tipo de ‘descompasso’ no processo de M&As (fusões e aquisições, na sigla em inglês), ou seja, no valor de precificação dos negócios para os quais procura sócios. Com a agenda de venda de ativos congelada, a Caixa tem dito que não desovará seus negócios no mercado ‘a qualquer preço’. “No caso dos M&As, é a mesma coisa”, afirma Volpp.

O presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, admitiu, pela primeira vez, que a oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) da Caixa Cartões pode ser a primeira da fila. Até então, a ideia era levar à bolsa a Caixa Seguridade, cujo processo de abertura de capital estava muito mais adiantado e foi interrompido pela pandemia.

“Vamos fazer a abertura de capital de seguridade e de cartões. Como estamos nos aproximando do início da operacionalização das joint ventures em seguros – em fevereiro de 2021 -, estamos avaliando se faremos antes o IPO de cartões ou de seguros”, disse Guimarães, em coletiva de imprensa, para comentar os resultados do banco, na semana passada.

A possibilidade de listar a Caixa Cartões na Bolsa antes da Caixa Seguridade já estava sendo analisada internamente no banco público. Agora, todo o rito que na operação de seguros estava mais adiantado tem de ser feito também na holding, que concentrará o ecossistema de meios de pagamentos da Caixa. Os bancos de investimento que devem assessorar a companhia, por exemplo, não teriam sido contratados, apurou o Estadão/Broadcast.

Anúncio de parceiro será feito nas próximas semanas

Ainda não é possível também mensurar o tamanho da Caixa Cartões e, consequentemente, o quanto o ativo pode valer na Bolsa. Antes, as parcerias que vão viabilizar a estruturação dos negócios principais têm de estar seladas.

A mais aguardada é a de maquininhas. O processo de seleção de um futuro sócio já está na reta final. Significa que a Caixa Cartões tem em mãos as ofertas vinculantes pelo negócio e decide, neste momento, quem vai arrematar a parceria. A Caixa opera hoje com a Cielo, de Bradesco e Banco do Brasil, e com a Rede, do Itaú Unibanco. Já a parceria para a operação de cartão pré-pago estaria um passo atrás.

“Em poucas semanas, esperamos anunciar o parceiro de maquininhas. Já o negócio de pré-pago está uma casa antes”, diz Volpp.

Sobre um eventual ganho que a Caixa Cartões pode ter com as cerca de 50 milhões de contas poupanças digitais criadas para o pagamento do auxílio emergencial de R$ 600, o executivo afirma que esse é um assunto em discussão e a cargo do banco. É possível, conforme ele, um ‘vaso comunicante’ com a holding.

A Caixa negocia com Cielo, Rede e também a Getnet, do Santander, uma força-tarefa para o pagamento da terceira parcela do auxílio emergencial, conforme revelou a Coluna do Broadcast, na semana passada. A ideia é transformar as contas criadas em carteiras virtuais a exemplo do PicPay, da J&F, e Iti, do Itaú, para que os recursos do benefício possam ser usados no pagamento de compras em lojas físicas. “Podemos vir a ter algum ganho, mas é uma discussão com a Caixa”, diz Volpp.

Em paralelo, a Caixa Cartões avança em processos de governança corporativa, essenciais para uma companhia que deseja ter ações na Bolsa. A holding obteve autorização do Ministério da Economia para a alteração de seu estatuto e está, neste momento, estruturando seu Conselho de Administração e fiscal. Segundo Volpp, o objetivo é que o colegiado esteja constituído até junho. “São os últimos órgãos faltando para podermos ter uma governança 100%”, diz.

Na semana passada, a Caixa Cartões recebeu um reforço em sua alta cúpula. O até então vice-presidente de logística da Caixa, Mozart Farias, deixou o banco público – em meio à uma disputa política pelo seu cargo, com destino à holding. Desde quarta-feira, dia 20, ele ocupa o cargo de governança, integridade e riscos na instituição.

Com a chegada de Mozart, a Caixa Cartões passa a ter um trio de executivos responsáveis pela operação. Além dele e Volpp, Eduardo Falk Antonio ocupa a cadeira de diretor de Administração, Relações com Investidores e Finanças. A equipe conta, ao todo, com cerca de 40 funcionários que já foram remanejados da estrutura do banco para a da holding.

Essa matéria foi publicada no Broadcast, em 22/05/2020, às 18:10:25

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