Caixa escala vice de Finanças para presidir e tocar IPO de gestora

Caixa escala vice de Finanças para presidir e tocar IPO de gestora

Aline Bronzati

22 de junho de 2021 | 10h41

IPO da gestora deve seguir os passos da área de seguros – FOTO: DANIEL TEIXEIRA/ESTADÃO

A Caixa Econômica Federal decidiu escalar o seu vice-presidente de finanças e controladoria, Gabriel Dutra Cardozo Vieira de Goes, para comandar sua gestora de recursos. O nome foi aprovado na segunda-feira, 21, durante reunião do Conselho de Administração do banco público. A principal missão do executivo será estruturar a companhia para abrir capital na Bolsa, o que é esperado para o fim deste ano – antes das eleições presidenciais de 2022.

A oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) da gestora de recursos da Caixa depende do aval do Banco Central para a constituição da empresa. O movimento é esperado para breve, possivelmente nas próximas semanas, conforme antecipou a Coluna.

Enquanto aguarda a chancela do BC, a Caixa avança nos demais passos para conseguir emplacar o IPO. A escolha de um presidente para a sua gestora de recursos era fundamental nesse sentido. Agora, Goes deve tomar a frente do processo, que inclui a preparação da companhia para ser listada em bolsa, ajustes operacionais como a migração de fundos para a nova empresa, a contratação dos bancos assessores para a operação, dentre outros.

Próximo ao presidente Jair Bolsonaro, o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, tem pressa. Com experiência no mercado de capitais, ele sabe que 2022 será um ano mais difícil para levar adiante os planos para empresas estatais por conta das eleições presidenciais. Por isso, a prioridade é levar a gestora à bolsa brasileira ainda este ano.

Oferta de ações deve seguir modelo da seguradora

O IPO da gestora de recursos da Caixa deve ser nos moldes da sua holding de seguros. Assim, espera-se que o banco público venda em torno de 15% do seu negócio de gestão de recursos na bolsa.

Além disso, será outra oferta que vai priorizar os investidores de varejo. A ideia da Caixa é vender ao menos 70% da operação às pessoas físicas. Se conseguir o feito, deve superar o IPO da Caixa Seguridade, no qual 50% da oferta foi distribuído ao varejo.

Esse é um pedido pessoal do presidente da Caixa. Guimarães costuma defender o reforço das pessoas físicas como a verdadeira “revolução” do mercado de capitais brasileiro. Com a queda dos juros no País, o número de investidores pessoas físicas na bolsa saltou e hoje soma mais de 3 milhões.

Primeiro na história do banco público, o IPO da Caixa Seguridade é considerado internamente como um bom termômetro para vender outros ativos na bolsa. Desde que abriu capital, no fim de abril, os papéis se valorizaram em mais de 30%, passando de R$ 9,67 na precificação do IPO para R$ 12,76 no pregão de segunda-feira, dia 21.

O único arrependimento do presidente da Caixa foi não ter vendido ainda mais da Caixa Seguridade ao varejo. Foi o IPO com maior participação de pessoas físicas – foram cerca de 150 mil, perdendo em número de CPFs somente para a abertura de capital da BM&F, que atraiu 250 mil.

Um sinal de que a Caixa pode conseguir repetir o feito com o IPO da gestora de recursos é o fato de o varejo ter mantido os papéis da holding de seguros passado o IPO. As vendas diárias apontam para alguns milhões de reais, volume baixo se comparado aos R$ 2,5 bilhões arrematados pelas pessoas físicas na oferta da Caixa Seguridade.

Outro público que também preferiu ficar com as ações foram os estrangeiros. Nomes como GIC, o fundo soberano de Cingapura, Wellington e Goldman Sachs Asset entraram no IPO da Caixa Seguridade e ainda mantêm posição no ativo.

Mudanças internas preparam IPO

De olho no próximo IPO, a Caixa tem reforçado nos últimos meses a família de fundos da sua gestora de recursos, com captações bilionárias na área imobiliária, seu grande filão. Também lançou novos veículos de investimento em ações e de crédito privado, que adquirem títulos de dívidas de empresas.

Quarta maior gestora de recursos do mercado brasileiro, a asset da Caixa tem mais de R$ 419 bilhões sob gestão, considerando os critérios da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). Até abril, registra captação líquida de R$ 31,9 bilhões, conforme dados da entidade. Hoje, não há nenhuma gestora de recursos com capital aberto na B3.

Antes do IPO da asset da Caixa, porém, é esperada a abertura de capital da Elo, bandeira de cartões da qual o banco é sócio com Bradesco e Banco do Brasil. A operação deve ocorrer também no segundo semestre, conforme fontes, na Nasdaq, berço da tecnologia nos Estados Unidos. A operação será estruturada pelos próprios bancos de investimento dos sócios e ainda os estrangeiros Morgan Stanley, Goldman Sachs e JPMorgan.

Procurada, a Caixa não comentou.

 

Esta reportagem foi publicada no Broadcast+ no dia 21/06/2021, às 20:53:08.

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