Caixa pode cortar bônus de executivos se despesa não cair em R$ 1 bi em 2021

Caixa pode cortar bônus de executivos se despesa não cair em R$ 1 bi em 2021

Aline Bronzati

06 de dezembro de 2020 | 05h00

 FOTO DANIEL TEIXEIRA/ESTADAO

Diretores e vice-presidentes da Caixa Econômica Federal poderão ficar sem receber bônus sobre o desempenho de 2021, apurou o Broadcast. O pagamento do benefício, de no máximo seis salários, dependerá do quão efetiva for a tesoura de gastos ao longo do próximo exercício. A meta da atual gestão, sob o comando de Pedro Guimarães, é diminuir as despesas do banco público em cerca de R$ 1 bilhão. O corte virá, principalmente, da saída e entrega de mais de 100 prédios próprios e alugados.

Atrelar o pagamento do bônus dos executivos à meta de eficiência é uma das propostas da Caixa em seu programa de Remuneração Variável Anual (RVA) de 2021, segundo fontes. O documento deve ser entregue à Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (Sest), vinculada ao Ministério da Economia e responsável por avaliar e dar o aval aos programas de estatais. O prazo para que apresentem seus planos para 2021 vai até 30 de dezembro.

A Caixa ainda não entregou seu programa, apurou o Broadcast. Mas a ideia, conforme fontes na condição de anonimato, é mudar a forma como é calculada a remuneração variável dos executivos a partir do próximo ano. Em vez só do lucro, o banco quer colocar critérios objetivos, como gatilhos de melhoria de eficiência e metas mais agressivas de resultados.

Os executivos que ocupam cargos de vice-presidentes e nas diretorias da Caixa podem receber até seis salários em bônus anual. Há ainda outros dois extras, mas que não são ‘factíveis’, segundo uma fonte que conhece a estrutura do banco. “O bônus de 2021 só virá para vice-presidentes e diretores se, dentre outras coisas, houver a devolução de prédios”, diz.

O racional da atual gestão é de que o banco tem muitas entregas a fazer no próximo ano e, portanto, precisa ser mais eficiente. A lista inclui desinvestimentos, aberturas de capital – banco digital, seguros, cartões e asset – e, ainda, a melhoria de seus resultados. Por outro lado, por ser um banco público, também tem obrigações sociais como o pagamento de benefícios, a exemplo do auxílio emergencial, que termina este mês, e do Bolsa Família.

Para um especialista em contabilidade de empresas públicas, as metas de eficiência operacional são comuns e atuam como gatilhos para o pagamento de remuneração variável. Caso o banco não entregue o que prometeu, os executivos ficam sem levar o bônus para casa. No Banco do Brasil, por exemplo, essa métrica foi adotada há alguns anos.

Além disso, os grandes bancos de varejo têm sofrido pressão para serem mais eficientes. “Todos os bancos entendem que o objetivo principal agora é ganhar eficiência. Pandemia, taxa de juros baixa e a dificuldade maior para fazer receita trazem a necessidade de se pensar sob a ótica da eficiência”, diz o diretor sênior de instituições financeiras da Fitch Ratings para América Latina, Claudio Gallina. “Os bancos de varejo têm uma rede (física) muito ampla”.


Foto: Andre Dusek/Estadão

No caso da Caixa, a redução não tem ocorrido com o fechamento de agências, como têm feito os rivais privados, mas por meio da devolução de prédios corporativos. O banco já fechou entre 50 e 60 prédios físicos. A ideia é ampliar esse número. Atualmente, há ainda 178. A orientação do presidente da Caixa é ficar com 70 edifícios até março do ano que vem.

Como consequência, dentre as novas metas que devem constar no programa de remuneração variável de 2021 – para pagamento no ano seguinte -, conforme apurou o Broadcast, está a redução de aproximadamente R$ 1 bilhão em despesas operacionais. “Devolver os prédios é importante, ainda mais com o home office que será adotado por todos, parcialmente, após a pandemia”, diz uma fonte, próxima ao banco público.

Neste ano, a Caixa se tornou responsável pelo pagamento do auxílio emergencial em meio à pandemia e gastou mais. Suas despesas administrativas cresceram em cerca de R$ 500 milhões de janeiro a setembro ante o mesmo período de 2019, para R$ 24,723 bilhões. O banco foi, assim, na contramão dos concorrentes privados, que têm enxugado gastos em meio à crise.

Enquanto os resultados do plano de corte de gastos não aparecem, a Caixa está remanejando funcionários de sua matriz e filiais, em Brasília, para a rede de agências, em meio à redução de sua estrutura. Estima-se que esse movimento gire ao redor de 500 funcionários, sem função gerencial, conta uma fonte.

Na linha de corte de gastos, o banco público também está próximo de concluir um novo programa de demissão voluntária (PDV). Até o momento, cerca de 2,2 mil pessoas já aderiram. O prazo para interessados termina na semana que vem. Ao fim de setembro, o banco contava com 92.174 colaboradores, redução de quase 3,9 mil pessoas em um ano. Do total, 84.290 são funcionários Caixa, enquanto os demais são estagiários e aprendizes.

Procurada, a Caixa não comentou. A Sest confirmou, por meio do Ministério da Economia, que a Caixa ainda não apresentou a proposta para o programa 2021. Disse ainda que as empresas têm até 30 de dezembro para o envio.

 

Esta reportagem foi publicada no Broadcast+ no dia 04/12/2020 às 19:04:45.

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