Caixa quer liderança no agro em dois anos, com R$ 200 bi em crédito ao setor

Caixa quer liderança no agro em dois anos, com R$ 200 bi em crédito ao setor

Matheus Piovesana

02 de fevereiro de 2022 | 05h10

Caixa vai ampliar atendimento ao agronegócio, segundo Pedro Guimarães  Foto: André Duzek/Estadão

A Caixa Econômica Federal espera chegar à segunda colocação no crédito agrícola no País até junho, e disputar, em dois anos, a liderança do segmento com o Banco do Brasil. De acordo com o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, a carteira do banco no crédito agrícola deve chegar a R$ 40 bilhões no fim deste ano, e até 2024, a cerca de R$ 200 bilhões.

“No ranking oficial do Banco Central, estamos em quarto, mas os dados são de outubro. Em novembro, pela nossa projeção, já passamos o terceiro, e até junho, com tranquilidade, passamos a ser o segundo”, disse o executivo em entrevista ao Broadcast. No terceiro trimestre de 2021, dado mais recente, a carteira da Caixa no agronegócio chegava a R$ 12,3 bilhões, avanço de 79,4% em base anual. A do BB chegava a R$ 225,8 bilhões.

O banco tem engatilhadas as inaugurações das 100 agências dedicadas ao agro que pretende abrir. Ao todo, quer expandir sua rede física em cerca de 300 agências, as do agro incluídas. Além de ampliar o atendimento, a Caixa conta com linhas de crédito subsidiadas pelo governo federal para reforçar as concessões.

No ano passado, o banco participou pela primeira vez do Plano Safra, através do qual obteve R$ 7 bilhões em recursos equalizados pelo governo. Neste ano, quer pleitear uma fatia maior, e deixará de repassar a outros bancos recursos do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura (Pronaf) que não emprestava.

“A Caixa repassava mais de R$ 5 bilhões para outros bancos, porque no Pronaf e no Pronampe, não tinha a capacidade, o foco, de emprestar para quem mais precisava”, afirmou ele. “Só nesse ajuste, passaríamos (o segundo).”

A cifra de R$ 200 bilhões em dois anos é vista como factível pelo executivo, que comenta que levaria a um acréscimo de 15% a 20% na carteira de crédito atual do banco. Entretanto, depende da entrada da Caixa no Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO), que destina, através dos bancos, recursos subsidiados a empresas e produtores rurais e também a cooperativas da região, a mais forte do agronegócio brasileiro.

O BB é administrador e domina as concessões via FCO, mas Guimarães acredita que a Caixa tem condições de entrar no páreo. “Depois que tivermos nos estruturado, vamos pleitear o uso do FCO, porque são recursos subsidiados. Em especial com uma taxa de juros mais alta, isso é crucial”, afirmou. Neste ano, o FCO deve aplicar R$ 9,7 bilhões em recursos, sendo que o BB deve responder por R$ 8,3 bilhões.

Se a CEF não conseguir entrar no FCO, Guimarães afirma que a carteira de crédito agrícola no final de 2024 chegaria a R$ 150 bilhões. Uma expansão mais modesta mas que, ainda assim, faria com que o banco público chegasse perto da liderança.

O avanço no agronegócio é uma ambição dos grandes bancos brasileiros graças ao potencial de vendas cruzadas que esse tipo de crédito possui, como as de seguro agrícola, o que compensa em parte a menor rentabilidade das linhas. Hoje, o Bradesco é o segundo colocado no crédito rural, atrás somente do BB. O agronegócio é base eleitoral do presidente Jair Bolsonaro e um dos principais setores apoiadores da atual administração federal.

Excesso de capital

A ambição da Caixa é sustentada por índices de capital robustos. Em setembro do ano passado, o índice de Basileia, que indica a proporção de capital próprio do banco na carteira de crédito, estava em 20,8%, o mais alto entre os cinco grandes bancos brasileiros. “A nossa Basileia está acima de 20%, é quase ineficiente, e temos mais de R$ 200 bilhões em excesso de funding“, disse Guimarães.

De acordo com ele, a escolha pelo agronegócio é lógica dado o potencial de crescimento do setor nos próximos anos. E mesmo que o capital se reduza nos próximos anos, o executivo acredita que a Caixa teria à mão opções relativamente baratas para levantar recursos.

“O nosso wealth demanda LCI (letras de crédito imobiliário) e LCA (letras de crédito do agronegócio), não precisamos nem guardar tudo no balanço. Apertou Basileia, securitiza”, afirmou. Segundo Pedro Guimarães, hoje, a Caixa não emite esse tipo de título, mas a gestora de recursos do banco tem R$ 700 bilhões em recursos de terceiros, o que cria um público em potencial.

 

Esta reportagem foi publicada no Broadcast no dia 01/02/22, às 18h17.

O Broadcast+ é uma plataforma líder no mercado financeiro com notícias e cotações em tempo real, além de análises e outras funcionalidades para auxiliar na tomada de decisão.

Para saber mais sobre o Broadcast+ e solicitar uma demonstração, acesse.

Contato: colunabroadcast@estadao.com

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.