Caixa Seguridade se reúne com investidores, rumo a IPO bilionário

Caixa Seguridade se reúne com investidores, rumo a IPO bilionário

Aline Bronzati

18 de março de 2021 | 05h03

Sede da Caixa Econômica Federal no setor bancário Sul, em Brasília. FOTO: ANDRE DUSEK/ESTADAO

A Caixa Seguridade iniciou essa semana rodadas de encontros com potenciais investidores no âmbito da sua oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês), apurou o Estadão/Broadcast. As reuniões preliminares, que ocorrem no formato virtual por conta da pandemia, fazem parte do chamado pilot fishing, no jargão de mercado, uma das etapas do processo de abertura de capital.

A expectativa da Caixa Seguridade é atrair investidores de varejo, de olho no forte ingresso desse público na Bolsa por conta dos juros baixos no País. Esse é, inclusive, uma das prioridades dos bancos que assessoram a companhia no IPO. O varejo pode representar até 40% da operação, diz uma fonte. “Há muita expectativa de vir forte para varejo”, diz.

Em paralelo, a Caixa Seguridade deve receber ainda nesta semana, conforme fontes, sinalizações quanto a seu valor de mercado, o valuation, na opinião de analistas sell side. São eles os responsáveis por recomendarem as ações de empresas listadas na Bolsa.

A Caixa Econômica Federal, que controla a Caixa Seguridade, quer vender no máximo até 30% da companhia na terceira tentativa que fará de listá-la na Bolsa, ainda segundo fontes. O valuation da companhia ainda está em discussão. Às vésperas de o IPO ser congelado em meio à pandemia, a operação da Caixa Seguridade era estimada em R$ 15 bilhões, e o objetivo do banco público era avaliá-la entre R$ 50 bilhões e R$ 60 bilhões.

Na próxima semana, de acordo com o cronograma previsto, deve ser iniciada a etapa conhecida como investor education, quando os analistas procuram os investidores antes do IPO para apresentarem a companhia, bem como seus números. Neste momento, debatem, pela primeira vez, a questão do preço das ações.

Enquanto isso, o contato com investidores está sendo feito pela alta cúpula e a equipe de relações com investidores da Caixa Seguridade. A quantidade de reuniões pedidas estaria elevada, de acordo com fontes, e serve de termômetro para o interesse do mercado na operação.

Efeito Petrobrás, por conta de intervenção pública, pode prejudicar preço de ações

O preço das ações, contudo, pode ser um empecilho nos planos da Caixa de listar seu negócio de seguros. Joga contra, dizem, exatamente os questionamentos de investidores com as estatais no Brasil após o ‘evento Petrobras’ – da intervenção do governo na petroleira, com troca do comando pelo presidente Jair Bolsonaro.

A Caixa, sob o comando de Pedro Guimarães, defendia, no passado, que as ações da operação de seguros teriam de ter um prêmio, ou seja, um valor maior frente às da BB Seguridade, do Banco do Brasil e que serviu de inspiração para a formação da holding da Caixa. “Talvez o mercado pense diferente”, diz uma das fontes, que não acredita que o IPO seja levado adiante, caso o preço fique abaixo do patamar da BB Seguridade.

A Caixa quer mostrar aos investidores que seu negócio é totalmente diferente da Petrobrás. Afinal, trata-se de uma seguradora. Na teleconferência para comentar os resultados da Caixa Seguridade, no início do mês, o presidente da empresa, Eduardo Dacache, foi nesta direção. “A despeito da volatilidade causada pelos recentes acontecimentos, o negócio da Caixa Seguridade é diferente do tema levantado na Petrobras e a gente, inclusive, tem a certeza que para este ano estamos levando uma companhia, se for concluído o tema listagem [na B3], muito mais estruturada”, disse o executivo, na ocasião.

Desde então, outro evento envolvendo a Caixa Seguridade, mais precisamente seu presidente. Dacache teria sido um dos indicados para presidir o Banco do Brasil, no lugar de André Brandão, de acordo com fontes. Apesar de ter apoio do presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, e ainda do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e do ministro da Economia, Paulo Guedes, a troca não avançou, ao menos por ora.

Restava apenas o presidente Jair Bolsonaro bater o martelo. No entanto, o agravamento da pandemia e a volta do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao cenário político deixaram a mudança no comando do BB em segundo plano, conforme mostrou reportagem do Estadão/Broadcast.

Assim, Dacache tem tocado a sua rotina na Caixa Seguridade, dominada pelos processos da abertura de capital. A operação, se concluída, marcará a estreia da Caixa com algum negócio listado em bolsa.

A Caixa Seguridade protocolou o pedido para o IPO junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) no início de março. A operação está sendo estruturada pelo próprio banco público, ao lado de Morgan Stanley, Bank of America, Itaú BBA, Credit Suisse e UBS BB.

O Banco do Brasil também está participando para ajudar a turbinar a oferta junto ao investidor de varejo, lembra uma fonte, o que configura um modelo diferente de outros IPOs. Isso porque depois da joint venture com o suíço UBS para desbravar o mercado de capitais, somente o UBS BB tem entrado nas operações.

Procurada, a Caixa não comentou.

 

Esta reportagem foi publicada no Broadcast+ no dia 17/03/2021, às 16:57:52 .

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