Caixa usará aplicativo de auxílio emergencial para conceder R$ 10 bi em microcrédito

Caixa usará aplicativo de auxílio emergencial para conceder R$ 10 bi em microcrédito

Irany Tereza

05 de setembro de 2021 | 05h01

Recursos para nova linha podem chegar a R$ 20 bilhões se houver demanda Foto: Marcelo Casal Jr./Agência Brasil

A Caixa vai usar o aplicativo Caixa Tem, criado para facilitar a distribuição do auxílio emergencial, para conceder microcrédito a cerca de 100 milhões de pessoas físicas. Segundo apurou a Coluna, serão empréstimos de R$ 200, R$ 300, com juros muito baixos. A taxa de 1,09% ao mês cobrada na modalidade saque-aniversário do FGTS pode servir de referência. Essa é a tal “revolução do mercado financeiro” que o presidente do banco, Pedro Guimarães, anunciou na última semana.

A divulgação deve ser feita nos próximos dias, com a presença do presidente Jair Bolsonaro, claro. Mas os empréstimos só começarão a ser liberados depois da última parcela do auxílio emergencial, o que está previsto para outubro. O limite para os financiamentos é avaliado em R$ 3 mil por CPF, e os recursos para a nova linha, estipulados inicialmente em R$ 10 bilhões, com margem para subir a R$ 20 bilhões, com funding no lucro da própria Caixa.

Com essa cartada o governo espera, ao mesmo tempo, atrair apoio num momento de baixa popularidade de Bolsonaro, e sepultar de vez o episódio Febraban, que movimentou o mercado durante toda a semana e abriu uma crise da qual ninguém saiu ileso. Depois de iniciar a semana ameaçando deixar a Febraban, Caixa e Banco do Brasil recuaram na sexta-feira, depois que a federação dos bancos divulgou nota declarando que não assinará o manifesto da Fiesp, apesar de reafirmar o apoio à pacificação entre os três Poderes da República.

“Foi uma nota ensaboada”, como disse à Coluna um integrante do governo, mas que serviu para pôr fim ao impasse. O presidente do Banco do Brasil, Fausto Ribeiro, participou da negociação para chegar a um desfecho menos traumático, mas não o presidente da Caixa, como revelou hoje o jornalista Murilo Rodrigues Alves, do Estadão.

Havia partido de Pedro Guimarães – hoje um dos integrantes do governo mais próximos de Bolsonaro – a maior reação à participação da Febraban no manifesto da Fiesp, documento que em nenhum momento fez qualquer citação a Bolsonaro. Na verdade, o manifesto, que acabou não sendo publicado, fazia apenas um apelo à atuação conjunta e independente do Executivo, Legislativo e Judiciário num momento em que uma das principais bandeiras dos bolsonaristas é o ataque aos ministros do Supremo Tribunal Federal.

Novos “clientes”

O app Caixa Tem brindou o banco estatal com perfis de milhares de usuários, que serviram de base para a proposta de criação do microcrédito. Eles se tornaram “clientes” da Caixa compulsoriamente,  para ter direito ao auxílio emergencial. No ano passado, o app idealizado para ajudar a população de baixa renda a ter acesso à transferência de recursos do governo federal foi o mais baixado do País, com mais de 300 mil downloads.

Agora, o banco terá de fazer uma campanha para explicar a esses novos “clientes” que o dinheiro que pretende liberar não é mais uma doação para ajudar a transpor as dificuldades que a pandemia de covid-19 trouxe. É um dinheiro que terá de ser devolvido com juros.

Claro que a taxa é baixa e que se trata de um crédito bancário que esses usuários dificilmente conseguiriam. Mas, para muitas pessoas, o aplicativo e o auxílio sacado no caixa eletrônico formaram a sua primeira experiência de “bancarização”. Procurada, a Caixa não concedeu entrevista.

Esta reportagem foi publicada no Broadcast+ no dia 03/09/21 às 15h59..

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