Câmbio nas alturas e covid-19 fazem brasileiro vender dólar em vez de comprar

Câmbio nas alturas e covid-19 fazem brasileiro vender dólar em vez de comprar

Cristiane Barbieri e Fernanda Guimarães

10 de maio de 2020 | 05h10

 

Sem a possibilidade de viajar ao exterior, com o dólar nas alturas e muitas vezes precisando de dinheiro, o brasileiro tornou-se vendedor, em vez de ocupar a tradicional posição de comprador de moeda estrangeira. Um dos maiores atacadistas do mercado de câmbio, o banco Ourinvest diz que o movimento nas lojas tem sido 95% de venda de dólar. Na corretora Travelex Confidence, a busca de clientes interessados em trocar dólares por reais já responde por cerca de 80% das vendas de papel moeda. Antes, na maioria das casas, a média era de 90% de vendas e 10% de compras. Segundo Bruno Foresti, superintendente de câmbio do Ourinvest, os serviços de delivery de papel moeda, quando a compra é feita pela internet, tornaram-se de praticamente apenas de retirada, nas casas dos clientes.

Tá difícil. O vendedor, porém, dificilmente consegue receber um valor parecido com os R$ 5,83 do dólar comercial de quinta-feira, por exemplo, quando a desvalorização bateu recorde. Ele conseguia vender a moeda entre R$ 5,07 a R$ 5,13. Certamente mais do que o valor pelo qual comprou, mas bem longe do lucro que poderia ter. Em tempos normais, esse deságio é de 1% a 2%. Além dos custos de segurança e carregamento da moeda, a possibilidade de exportar dinheiro estrangeiro ficou mais difícil, o que fez o deságio médio ir a 12%.

De lá para cá.Outro movimento que vem sendo percebido pelas empresas da área é o aumento de remessas. Segundo Fernando Bergallo, sócio do escritório de intermediação de câmbio FB Capital, muitas pessoas donas de imóveis no exterior, principalmente nos EUA, têm feito renegociações de hipotecas ou vendido casas e apartamentos lá fora e trazido de volta o dinheiro. Para ele, o movimento seria ainda maior se houvesse mais clareza sobre os efeitos causados pela pandemia na economia.

Formigas. No Ourinvest, foram as micro remessas que aumentaram em pelo menos 35%. Com a Europa saindo do isolamento e o desemprego crescendo aqui, muitos brasileiros que trabalham lá fora têm se tornado provedores de suas famílias.

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