CCR tem rodovias do Paraná, trem intercidades e aeroportos no radar

CCR tem rodovias do Paraná, trem intercidades e aeroportos no radar

Juliana Estigarríbia

27 de fevereiro de 2022 | 05h10

Estrada sob concessão da CCR;  empresa lucrou mais de R$ 1 bi em 2021   Foto: Daniel Teixeira/ Estadão

Mesmo após a conquista de importantes ativos de infraestrutura em 2021, o grupo CCR conseguiu manter seu endividamento em nível praticamente estável em relação ao ano anterior. E isso abre espaço para que a companhia continue avaliando oportunidades no mercado, segundo a superintendente de RI da companhia Flávia Godoy,

“Dentro dos setores em que a companhia atua, há um pipeline de projetos robusto”, disse a executiva ao Broadcast. “Entre os projetos estão o pacote de rodovias do Paraná, o TIC (Trem Intercidades), a 7ª rodada de aeroportos, e ainda devemos ter a 8ª rodada, que segundo o governo deve ficar para 2023, mas há espaço sim para participarmos”, acrescentou.

Com o anúncio de devolução da concessão de Galeão e a consequente retirada do Aeroporto Santos Dumont da 7ª rodada, o governo federal pretende fazer uma 8ª rodada com os dois ativos, mas ainda não há muitos detalhes sobre o projeto.

A CCR reportou lucro líquido de R$ 695,6 milhões em 2021, alta de 264,2% sobre 2020. No critério mesma base, quando são excluídos ativos que saíram do portfólio ou que acabaram de ser adicionados, o grupo apurou um lucro líquido de R$ 1,01 bilhão no período, ante R$ 232,1 milhões em 2020.

“Tivemos uma recuperação muito importante ao longo de 2021. O segmento de tráfego foi muito resiliente e em 2021 já voltou praticamente aos níveis de 2019”, salientou Flávia. De acordo com a executiva, outros modais também tiveram uma trajetória de crescimento no período, como o aeroportuário. “Foi um resultado sólido e um ano espetacular. Fizemos conquistas importantes em 2021 e aumentamos o duration do portfólio, com muita disciplina de capital”, disse.

Riscos

A superintendente de RI vê pouco impacto da crise na Ucrânia na operação da empresa, mas reforça que a CCR está atenta ao aumento dos preços dos insumos, que já vinha sendo observado desde 2020. “Os projetos que foram conquistados em 2021 já seguem a nova realidade de aumento de insumos, incluindo futuros aumentos, até que tenhamos uma acomodação dos preços.”

Segundo ela, o grupo tem uma frente dedicada a esse tema, o que inclui a formação de parcerias de longo prazo para obter preços melhores. “Temos 25 concessões com 38 ativos. Quando conduzimos uma negociação ela não é isolada, tem um ganho de escala importante. Também trabalhamos em outras frentes, avaliando a internalização de atividades, por exemplo.”

Em sua visão, o governo tem acertado na implantação das concessões, mas não vê riscos com as eleições. “Não esperamos que ocorra nenhuma ruptura no programa de concessões, que está gerando empregos, investimentos. Com os problemas fiscais, essa parceria com o privado deve continuar.”

Em relatório do Credit Suisse divulgado na última semana, os analistas Regis Cardoso, Henrique Simoes e Alejandro Zamacona alertaram que, embora os volumes de rodovias tenham se recuperado dos impactos da covid há algum tempo, a mobilidade urbana e os aeroportos ainda lutam para voltar aos níveis de 2019. Apesar disso, eles observaram que a CCR “ainda tem espaço para se recuperar”.

 

Esta nota foi publicada no Broadcast no dia 24/02/22, às 21h08.

O Broadcast+ é uma plataforma líder no mercado financeiro com notícias e cotações em tempo real, além de análises e outras funcionalidades para auxiliar na tomada de decisão.

Para saber mais sobre o Broadcast+ e solicitar uma demonstração, acesse.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.