Cerc processa R$ 650 bilhões em um ano de registro de recebíveis

Cerc processa R$ 650 bilhões em um ano de registro de recebíveis

Matheus Piovesana

19 de junho de 2022 | 06h00

Fernando Fontes, CEO da Cerc. Foto: Divulgação/Cerc

No primeiro ano de vigência do registro de recebíveis, a Cerc, a maior registradora do País, movimentou um volume financeiro de R$ 650 bilhões, acima das expectativas iniciais. Em abril, a plataforma registrou mais de R$ 16,7 bilhões em recebíveis antecipados, diante de um sistema mais estável e com os principais problemas solucionados.

Os recebíveis são ativos gerados toda vez que alguém faz um pagamento utilizando cartões. Nos cartões de crédito, por exemplo, as credenciadoras (como as empresas de maquininhas) têm 30 dias para disponibilizar os recursos aos lojistas. O recebível é o certificado de que esses lojistas têm direito aos recursos, e o registro permitiu que todo o mercado pudesse ter acesso à agenda de recebíveis de cada um.

Arquitetado pelo Banco Central com o mercado, o registro de recebíveis começou a operar em junho do ano passado, mas teve início conturbado, com problemas na comunicação entre as registradoras (as três maiores são Cerc, CIP e Tag).

Fernando Fontes, CEO e cofundador da Cerc, afirma que estes problemas foram contornados, e que em maio, o índice de sucesso nas interações do sistema atingiu 97%. Segundo ele, é o suficiente para viabilizar os negócios, e as melhorias que o sistema ainda demanda são pontuais, concentradas em outros elos da cadeia.

Perfil

A Cerc tem hoje 80% do mercado de credenciadoras, e reúne nomes como PagSeguro, PayPal, Mercado Pago e aplicativos como Uber. São ao todo 31 milhões de estabelecimentos comerciais conectados, de acordo com a empresa, e 179 das 226 instituições de pagamento que operam no País.

Fontes afirma que graças à estabilização do registro, novos players começam a entrar no mercado de intermediação desses ativos, como as fintechs de antecipação ou as que transformam o recebível em moeda de troca, para que o varejista faça compras sem ter de antecipar o recebimento do saldo. Neste último segmento, ele cita nomes como Marvin, Payhop e TruePay.

A Cerc enxerga esse desenvolvimento como uma fonte de oportunidades, bem como as discussões de tokenização de recebíveis. O CEO comenta que como os recebíveis são originados no mundo real, o mercado precisaria de um “árbitro” para controlar as negociações, algo que as registradoras fariam.

Outra oportunidade está nas possíveis mudanças nas regras da securitização. Na quarta, a Câmara dos Deputados aprovou a Medida Provisória (MP) 1103/22, que permite a emissão de certificados de recebíveis por qualquer setor da economia. Segundo Fontes, isso criaria alternativas que permitiriam que os atuais recebíveis entrassem na carteira de investidores profissionais, destravando valor.

Mesmo antes das mudanças, a Cerc se movimenta. A empresa pediu ao BC autorização para criar uma depositária de títulos bancários e uma câmara de liquidação, e deve protocolar na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) ainda neste mês um pedido para uma depositária de valores mobiliários. Se aprovada, a estrutura será utilizada para renda fixa e recebíveis – ações não estão no foco.

Este texto foi publicado no Broadcast no dia 18/06/22, às 19h10

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