Chance de novas ofertas de ações ainda em 2021 vai a zero

Chance de novas ofertas de ações ainda em 2021 vai a zero

Cynthia Decloedt e Altamiro Silva Júnior

21 de outubro de 2021 | 05h00

Foto: Daniel Teixeira/Estadão

Banqueiros de investimento e gestores jogaram a toalha: a chance de alguma nova oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) ser feita este ano é muito baixa. Os investidores estão sem o menor apetite para comprar ações de empresas novas, já que eles ainda digerem perdas de IPOs recentes.

Alguns papéis acumulam baixas de dois dígitos e os fundos de ações e multimercados têm tido saques fortes. Paralelamente, não há sinais de que o cenário macro e político terá melhoria no curto prazo. Também, faltam nos IPOs nomes de apelo maior para atrair os pequenos investidores do varejo.

No início de outubro, as apostas eram de que menos da metade dos IPOs previstos para esta temporada chegariam à Bolsa. O chefe do banco de investimentos no Brasil do Citi, Eduardo Miras, diz que, mantidas as condições atuais do mercado, é pouco provável um IPO no mercado local este ano.

Segundo Miras, o Brasil destoa de outros mercados, por conta de preocupações fiscais e políticas. O ambiente poderia mudar rapidamente e o ambiente para captações reabrir, mas por ora não há sinalização de que isso possa ocorrer.

A inflação e o juro básico mais alto atrapalham, diz o sócio e gestor da JGP, Marcio Correia. Os investidores estão migrando temporariamente para títulos de renda fixa e em busca por outros ativos antes inexistentes para os brasileiros, como as criptomoedas.

Na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) existem 30 pedidos de IPOs em análise, vários de empresas que já alteraram o rumo de suas captações. Algumas estão neste momento conversando diretamente com fundos que possam se interessar por suas “teses” de investimento, como a rede de academias Bluefit, que suspendeu a estreia em Bolsa no fim de setembro.

Alternativas

Saídas por meio de operações de fusão e aquisição (M&A) acontecem nos bastidores. Uma delas resultou na venda de uma fatia de 50% da Comerc, comercializadora de energia, para a Vibra (ex-BR Distribuidora) no dia do fechamento da oferta, por um valor semelhante ao do IPO. A rede de restaurantes Madero renegociou suas dívidas com os bancos credores e deixou a oferta escorregar para 2022.

Nas próximas semanas, devem chegar à CVM novos pedidos de IPO, de empresas que já olham uma operação no começo de 2022. Quem fizer arquivamento agora no regulador, com dados do terceiro trimestre, tem maior flexibilidade e consegue precificar a oferta de dezembro até fevereiro. Das empresas que já estão com documentos para IPOs na CVM, algumas podem voltar no começo do ano que vem com operações redesenhadas, como as voltadas para investidores qualificados.

Esta reportagem foi publicada no Broadcast+ no dia 20/10, às 8h30.

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