Ciberataque no Brasil custa US$ 46 milhões e impacta resultado da Atento

Ciberataque no Brasil custa US$ 46 milhões e impacta resultado da Atento

Gabriel Baldocchi

05 de maio de 2022 | 05h30

Crédito da foto: Nilton Fukuda/Estadão

Número de empresas vítimas de ciberataques não para de crescer    Foto: Nilton Fukuda/Estadão

O ataque cibernético sofrido no Brasil pela Atento, em outubro do ano passado, custou mais caro do que o imaginado à multinacional espanhola de call center, uma das cinco maiores do setor de atendimento a clientes no mundo. Após refazer as contas, o grupo agora avalia um impacto de US$ 46,1 milhões (cerca de R$ 230 milhões). Além do gasto para remediar a ação criminosa, foi contabilizada também a perda de receita causada pelo evento.

Por causa da nova conta, a companhia teve de rever os números do resultado de 2021 apresentados ao mercado e deixou ainda mais evidente o peso do ataque. As receitas da divisão brasileira encerrariam o ano com uma alta de 6% em 2021, sem considerar o incidente, para um total de US$ 603,6 milhões (cerca de R$ 3 bilhões). A ação dos hackers, porém, fez com que o número ficasse em patamar semelhante ao do ano anterior, em US$ 568,8 milhões (R$ 2,85 bilhões).

A geração de caixa, medida pelo Ebtida (sigla em inglês para lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização), também foi duramente impactada na unidade local: fechou o ano em queda de 36,5% no ano, para US$ 46,7 milhões (cerca de US$ 230 milhões). Sem o efeito do ataque, subiria 26,2%, para US$ 92,8 milhões.

Ataque hacker também gerou implicações neste ano

A Atento tem hoje 150 mil funcionários nos 13 países em que atua. O Brasil representa cerca de 40% da receita anual, de cerca de US$ 1,45 bilhão (R$ 7,26 bilhões) em 2021. No ano passado, o grupo registrou prejuízo de US$ 46,3 milhões (R$ 230 milhões). O ataque também gerou implicações neste ano. A empresa teve de reduzir a projeção da margem Ebtida para 2022 de algo entre 14% e 15% para 13% e 14%, por eventuais efeitos residuais da ação dos hackers.

O número de empresas vítimas de ciberataques não para de crescer no País. A lista inclui nomes como Fleury, CVC e Embraer. O Brasil já é hoje o quarto maior alvo de tentativas de ramsoware (software malicioso que sequestra dados), tipo mais comum de ataque, com 33 milhões de tentativas, segundo dados da SonicWall.

 

Esta nota foi publicada no Broadcast no dia 04/05/22, às 16h20.

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