Coinbase anda de lado no Brasil à espera do fim do ‘inverno cripto’

Coinbase anda de lado no Brasil à espera do fim do ‘inverno cripto’

Cynthia Decloedt e Aramis Merki II

05 de julho de 2022 | 05h35

Coinbase fez IPO na Nasdaq em abril do ano passado Foto: Michael Nagle/Bloomberg

Enquanto espera a turbulência nos preços dos criptoativos se acalmar, a Coinbase deve andar de lado com sua estratégia de lançamento das operações no Brasil. O centro global de engenharia que está sendo estruturado no País para atender as operações da companhia em toda a América Latina, congelou as contratações. Atualmente, ele conta com 40 engenheiros. A expectativa da Coinbase, no início do ano, era ter 130 empregados no Brasil. Esse cenário, no entanto, mudou.

A crise pela qual passam as criptomoedas e corretoras, também chamado de ‘inverno cripto’, provocou perdas de mais de 70% no bitcoin desde a máxima histórica, em novembro. A Coinbase sentiu o baque em suas ações, que caíram 81,3% em 2022, e foi obrigada a fazer algumas guinadas em negócios e anunciar demissões.

Queda das ações inviabilizou aquisição da dona do Mercado Bitcoin

Uma das estratégias para o desembarque na América Latina era a aquisição da 2TM, dona do Mercado Bitcoin, abortada pela perda de referência de valor da Coinbase. Em junho, a empresa informou a demissão de 18% do seu quadro de funcionários.

No Brasil, a mensagem da Coinbase é de otimismo. “Nosso plano segue em linha com o que foi imaginado e a empresa, como um todo, faz a escolha do melhor uso dos recursos”, diz o responsável pelas operações da empresa para América Latina, Fabio Plein. “O Brasil, sendo prioritário, segue com o plano de fazer o lançamento este ano.”

No momento, a Coinbase trabalha na customização ao público brasileiro de transferência dos recursos do mundo cripto para o não cripto e vice-versa. Plein, que estava no PicPay e no Uber antes de chegar a Coinbase, diz haver conversas com bancos e outros competidores globais e locais de meio de pagamentos. Ele, porém, não revela os nomes. Parcerias e aquisições estão nos planos da empresa, mas como um segundo passo.

Contexto macro interfere no universo cripto

Plein afirma que a visão da Coinbase é de longo prazo e que não é a primeira vez que a companhia enfrenta volatilidade, exatamente porque os criptoativos têm essa natureza. Embora as empresas cripto tenham nascido com a proposta de criação de um universo financeiro independente e paralelo ao tradicional, Plein diz que estão inseridos no contexto macroeconômico e geopolítico global e dependem dele para que a pressão contra as cripto diminua.

A companhia também aposta nas regulações e tem tido interlocuções com o Banco Central e outros concorrentes da indústria. Em maio, representantes da Coinbase debateram o assunto com o presidente do BC, Roberto Campos Neto. “Somos pró regulações inteligentes”, afirma.

 

Esta nota foi publicada no Broadcast no dia 01/07/22, às 16h17

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