Com 1 milhão de acionistas, em 90% das cidades do País, Itaúsa fala ao grande público

Com 1 milhão de acionistas, em 90% das cidades do País, Itaúsa fala ao grande público

Marcelo Mota

29 de setembro de 2021 | 13h45

Itaú Unibanco é o maior investimento da Itaúsa, que busca diversificar portfólio  Foto: Nilton Fukuda

Se não tem clientes diretos, a Itaúsa tem público. À beira de alcançar a marca de um milhão de acionistas diretos, entre indivíduos e empresas, a holding, que tem o Itaú Unibanco como seu maior investimento, busca agora a expansão e a diversificação de seu portfólio de negócios não financeiros. Com a percepção da ordem de grandeza que alcançou no mercado de capitais, porém, resolveu se comunicar em larga escala, com campanha que inclui até comerciais em TV.

“Nunca fizemos campanha institucional, é a primeira vez. A motivação é que estávamos muito próximos de atingir um milhão de acionistas”, disse o presidente da holding, Alfredo Setubal, em entrevista coletiva online após o evento Panorama Itaúsa, que, segundo ele, será sempre virtual, daqui em diante. “A ideia é mostrar que a Itaúsa é mais que Itaú Unibanco: é uma companhia brasileira com participação em empresas importantes e marcas usadas pelas pessoas diariamente.”

Ainda que inclua TV, ele afirma que a campanha foi orientada ao público de investidores, com filmes veiculados em intervalos de programas com boa proporção espectadores que “acompanham o mercado de capitais e têm a ver com nossos acionistas”. Grupo que se multiplicou e se renovou mais rápido do que esperava a própria Itaúsa.

“Foi surpreendente até para nós. O crescimento nos últimos dois anos foi exponencial”, disse Setubal. “Temos acionistas em 90% dos municípios brasileiros. A base tem se diversificado muito e 28% já são mulheres.”

Segundo ele, a idade média dos acionistas da holding é de 36 anos. “Mas 32% dos nossos acionistas têm entre 21 e 30 anos”, disse. Ele vê no interesse dos mais jovens pela empresa n identificação com uma proposta investimento de longo prazo, via mercado de capitais.

A estratégia de investimentos da Itaúsa também ajuda a conquistar esse público. “São investimentos de décadas e procuramos fazer com que essas empresas cresçam”, afirma. “Temos levado mais os critérios ESG (sigla em inglês a adoção de boas práticas ambientais, sociais e de governança) em conta nas nossas tomadas de decisão.”

Valem os mesmos critérios na busca para aumentar e diversificar a carteira. Entre os alvos prioritários para a expansão dessas participações estão os setores de Saúde e Agro. O primeiro por ter demanda forte no Brasil e o segundo, por ser onde o País oferece “produtividade fora de série”.

Dividendos

Estão descartados investimentos fora do Brasil, e a XP, convertida na segunda maior participação na carteira da holding, herdada do Itaú Unibanco, que foi impedido de assumir o controle da plataforma pelo Banco Central, não  também não faz parte dos planos da Itaúsa a longo prazo. A venda dessas ações, contudo, será feita de forma gradual. “Estamos pensando que, à medida em que vá se realizando esse ganho, podemos reduzir dívidas, fazer novos investimentos e, por que não, aumentar o ‘pay out’, distribuindo com dividendos”, diz.

Segundo Setubal, a Itaúsa deve  incrementar a distribuição de resultados nos próximos anos, seja pelo destravamento da distribuição de dividendos pelo Itaú Unibanco, seja pelos resultados positivos de suas demais investidas. A geração de bons resultados e de caixa robusta também norteiam a busca por novas oportunidades de investimento para expansão e diversificação do portfólio da holding.

“O banco continuará representando 80% a 85% do portfólio da Itaúsa, mas também teremos empresas que vão pagar bom dividendo”, afirma. A empresa de participações detém 38% do capital do Itaú Unibanco. “No ano passado, o Banco Central limitou em 25% o pagamento de dividendo e, com isso, o dividendo a ser pago no começo do ano que vem pelo Itaú Unibanco ainda vai refletir um pouco essa limitação, mas acreditamos que nos próximos anos volte a nível mais alto de ‘pay out’, de 40% a 50%”, diz.

A Itaúsa também estuda uma maneira de assegurar a distribuição dos resultados de 2021 mais polpudos a seus acionistas. “Vamos analisar fazer algum tipo de antecipação de dividendos neste ano, usando reservas de lucros acumulados”, diz.

A holding também pode se beneficiar com uma economia de R$ 400 milhões a R$ 500 milhões com a redução de despesas que seria propiciada pelo fim da distribuição de proventos por suas investidas por meio de juros sobre capital próprio (JCP). “A Itaúsa se beneficia da forma como está sendo proposta a reforma tributária”, afirma.

As atuais investidas também acenam com resultados robustos, apesar do cenário macroeconômico nebuloso, com inflação galopante e juros em alta, sem falar na cena política turbulenta. Para Antonio Joaquim de Oliveira, presidente da Dexco, nova marca da antiga Duratex, até 2023 é “muito difícil” que o segmento da companhia entre em declínio. “Não temos ainda sinais de desaceleração no setor, continua com nível de demanda fortíssimo”, diz. “Estamos operando com todas as linhas e fábricas a ‘full’ (no máximo da capacidade).”

 

Esta reportagem foi publicada no Broadcast+ no dia 28/09/2021 às 16h37.

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