Com bilhões no caixa, Crescera (ex-Bozano) quer comprar dezenas de empresas

Com bilhões no caixa, Crescera (ex-Bozano) quer comprar dezenas de empresas

Altamiro Silva Junior

21 de novembro de 2021 | 05h15

Fundo de R$ 2 bilhões vai investir em setores como saúde e educação  Foto: Daniel Teixeira/Estadão

A Crescera Capital, gestora que antes se chamava Bozano Investimentos e teve entre seus sócios o ministro da Economia, Paulo Guedes, terá bilhões de reais no cofre para comprar empresas. Na mira, alvos variados: vai buscar de companhias nascentes até as de maior porte, de diferentes setores. Para a empreitada, usará três fontes de receita: uma empresa “cheque em branco” e dois fundos. Nesta sexta, a Crescera captou, nos Estados Unidos, US$ 200 milhões por meio de uma Spac (Empresa de Aquisição com Propósito Especial, na sigla em inglês) na Nasdaq, a chamada “empresa cheque em branco”. Até dezembro, pretende concluir a captação de seu maior fundo de private equity, aquele que compra participação em empresas, de R$ 2 bilhões.

Está montando ainda um novo fundo de venture capital, especializado em adquirir empresas de menor porte e em estágios iniciais. Em fase de captação, o objetivo é conseguir R$ 500 milhões. Será sua terceira iniciativa no segmento, que passa por um boom de investimentos no Brasil.

Europeus e americanos

Parte dos recursos dos fundos está sendo captada lá fora, segundo a sócia e diretora operacional (COO) da Crescera, Natalia Couri Galarti. No caso do private equity, o fundo conseguiu aportes de investidores europeus, incluindo o alemão Deutsche Investitions (DEG), a francesa Proparco e, nos Estados Unidos, o International Finance Corporation (IFC), braço financeiro do Banco Mundial, que aportou US$ 20 milhões.

O fundo de R$ 2 bilhões não é voltado a um segmento específico, mas vai privilegiar setores como educação, saúde, bens de capital e inovação, mesmos setores nos quais a empresa “cheque em branco” está de olho. Com o dinheiro já captado, foram feitos investimentos em quatro empresas. Entre elas, o Grupo Zelo, de planos funerários e gestão de cemitérios, a Neológica, de tecnologia financeira, e a Alura, de educação.

A meta é chegar a 10 ou 12 companhias investidas, com cheques que podem variar de R$ 70 milhões a R$ 200 milhões cada. No venture capital, a meta é apoiar entre 10 e 14 empresas. A primeira investida foi a Tembici, de aluguel de bicicletas.

Este será o quinto fundo de private equity da Crescera, fundada em 2008 e que tem R$ 3,7 bilhões em ativos sob gestão. Até 2019, a gestora chamava-se Bozano. Para assumir o cargo público, a convite de Jair Bolsonaro, o ministro Guedes, um de seus fundadores, vendeu sua fatia no fim de 2018.

 

Esta nota foi publicada no Broadcast+ no dia 19/11/21, às 18h37.

O Broadcast+ é uma plataforma líder no mercado financeiro com notícias e cotações em tempo real, além de análises e outras funcionalidades para auxiliar na tomada de decisão.

Para saber mais sobre o Broadcast+ e solicitar uma demonstração, acesse.

Contato: colunabroadcast@estadao.com

Siga a @colunadobroad no Twitter

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.