Com caixa cheio, Cobasi muda posicionamento, prepara aquisições e IPO

Com caixa cheio, Cobasi muda posicionamento, prepara aquisições e IPO

Talita Nascimento

29 de agosto de 2021 | 05h17

Segundo Paulo Nassar, Cobasi deve fazer novas aquisições  Foto: Bruno Mooca

Neste fim de semana, a Cobasi vai deixar de ser “o shopping do seu animal” para se tornar “essencial para a vida”. A mudança na linha que fica abaixo da marca serve para ressaltar o reposicionamento de mercado. Paulo Nassar, presidente da rede varejista, diz que a empresa sempre teve uma proposta ampla de produtos, já que começou como uma loja de artigos para sítios e casas de campo. Agora quer, além de dar ênfase à variedade, transformar-se – como sonha toda varejista – em um ecossistema de compras. Ou seja: vender não só os itens nos quais é especializada, mas ter outras frentes de negócios e levar o cliente a gastar mais ali. Para isso, estão no radar aquisições e uma oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) mais adiante.

A companhia passou por um processo de profissionalização de sua gestão no ano passado, quando se tornou uma SA. Em abril, recebeu R$ 300 milhões do fundo Kinea, do Itaú, por uma fatia minoritária. O dinheiro foi usado em expansão de lojas físicas, vendas digitais e na compra da Pet Anjo. “Nossos sócios da Kinea já estão nos ajudando muito em temas de M&A (fusões e aquisições, na sigla em inglês)“, diz Nassar. “Novos M&As devem acontecer: estão na mesa no atual momento.”

Segundo ele, as compras devem ser feitas em negócios complementares, para que a plataforma tenha mais produtos, soluções e serviços. Além de “pais de pets“, seus clientes também são “pais de plantas“, já que Casa e Jardim é um segmento que terá mais atenção da empresa.

Da mesma forma, o IPO é visto como um caminho natural. “A empresa não tem pressa em fazer abertura de capital”, diz ele. “Está mapeado, mas não está cravada uma data: vamos fazer quando for conveniente para o negócio.” Por enquanto, Nassar diz ter uma empresa sem dívidas e planeja fechar o ano com 40 novas lojas físicas. Para atingir a meta, faltam 22 aberturas.

A entrada no Kinea foi o combustível que detonou o plano agressivo de crescimento não só em 2021, mas também nos anos que se seguirão, com a intenção de “tomar conta do mercado”. A Petz saiu na frente no IPO, mas o segmento pet ainda é muito pulverizado e os três maiores competidores (Cobasi, Petz e Petlove) não somam 15% do setor.

Competitivo

Quando se fala de concorrência, Nassar gosta de dizer que está na dianteira, inclusive com seu novo posicionamento de marca. Nas plataformas online, a Cobasi, iniciou o projeto multicanal (que permite ao consumidor retirar compras online nas lojas) em 2018 e transformou, neste ano, seu site em um shopping digital. Como lojistas virtuais, a companhia agrega empresas de materiais para a construção de terraços e outros produtos ligados à casa, o que também conversa com a proposta de se mostrar mais abrangente do que um petshop.

“Seguidores e empreendedores olharam o modelo da Cobasi e, de alguma forma, tentaram reproduzir e copiaram conceitos e tendências que trouxemos para o mercado”, diz ele. “É um elogio saber que somos ditadores de tendências, mas temos quase 36 anos. Toda marca envelhece. Já estávamos com a ideia de redefinir nosso propósito.”

Verdade é que a Cobasi viu a concorrência ganhar corpo. Enquanto a Petz cresceu com um modelo de lojas parecido com o seu, a Petlove avançou na parte digital e ambas se tornaram competidoras de peso. A Petlove, no caso, com investimentos do Softbank e do fundo L. Catterton. Ambas também deram as caras nas fusões e aquisições: arrematando a DogHero, com serviços parecidos com os da PetAnjo e a Zee.Dog, marca de acessórios para cães e gatos.

Recentemente, o CEO da Petz, Sergio Zimmerman, disse ao Broadcast que a companhia tem “cabeça aberta” quando se tratam de fusões e aquisições. Ele afirmou estar de olho em negócios que complementem o seu, para a formação de um ecossistema de varejo para o segmento pet. No entanto, compras maiores, de concorrentes com modelo de negócios parecido ao seu, não estão descartadas.

Esta nota foi publicada no Broadcast+ no dia 27/08/21 às 18h29.

O Broadcast+ é a plataforma líder no mercado financeiro com notícias e cotações em tempo real, além de análises e outras funcionalidades para auxiliar na tomada de decisão.

Para saber mais sobre o Broadcast+ e solicitar uma demonstração, acesse 

Contato: colunabroadcast@estadao.com

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.