Com caixa reforçado, Inter quer dobrar carteira de crédito e comprar plataformas

Com caixa reforçado, Inter quer dobrar carteira de crédito e comprar plataformas

André Ítalo Rocha

17 de setembro de 2020 | 10h36

João Vitor Menin, CEO do Banco Inter. Foto: Taba Benedicto/Estadão

O Banco Inter, que teve aprovada nesta semana pelo Banco Central (BC) uma captação de R$ 1,2 bilhão no mercado, pretende usar metade dos recursos para mais do que dobrar a carteira de crédito da instituição financeira, em um prazo de dois a três anos. A outra metade, por sua vez, será destinada a aquisições de plataformas de investimentos e marketplace. Foi o que disse o CEO do Inter, João Vitor Menin, em entrevista exclusiva ao Broadcast.

O banco digital, que hoje atingiu a marca de 7 milhões de correntistas, a um ritmo diário de 20 mil novas contas, tem hoje cerca de R$ 6 bilhões em carteira de crédito. Pelas contas de Menin, a metade dos recursos captados no mercado, o equivalente a R$ 600 milhões, tem potencial para elevar a carteira em algo entre R$ 6 bilhões e R$ 8 bilhões.

“Vamos conseguir isso em uma velocidade boa, em dois a três anos, até mais para dois do que para três. É totalmente possível. Temos capital regulatório, um custo de ‘funding’ muito competitivo, com 7 milhões de correntistas, temos ‘know now’, com produtos rodando há muito tempo. Temos as alavancas todas”, explicou o executivo.

Em relação às aquisições, Menin lembrou que o banco atua em cinco grandes frentes (serviços bancários do cotidiano, crédito, seguro, investimentos e marketplace), mas que somente as duas últimas devem ser alvo do apetite da instituição para compras, por entender que nas três primeiras o Inter já conta com produtos bem estabelecidos e competência para tocá-los.

“Queremos comprar muito mais capacidade de integração, gestão, gente, habilidades, em vez de números, para inflar resultados ou aumentar lucros das plataformas. Queremos comprar capacitação técnica, coisa que você não tem dentro de casa”, disse. “São áreas que demandam integrações, novos processos, novas pessoas, para termos um serviço cada vez melhor para nossos correntistas”, completou.

A busca do Inter por plataformas de investimentos e de marketplace reforça uma corrida das fintechs e dos bancos digitais para monetizar os clientes e aumentar a receita. Na semana passada, por exemplo, o Nubank anunciou a compra da Easynvest, líder no segmento de plataformas digitais de investimentos. O próprio Inter, no ano passado, adquiriu 70% da DLM Invista e a rebatizou de Inter Asset. “Quanto mais serviços você traz, melhor (para a receita)”, disse Menin, ressaltando que os serviços já representam 50% do faturamento do banco, contra 15% há três anos. O restante é spread bancário.

Menin ressaltou ainda que o banco está “bem resolvido” e “confortável” em relação ao impacto que os investimentos devem ter ao limitar o aumento da lucratividade. “Não podemos achar que, fazendo o que estamos fazendo, na velocidade que estamos fazendo, nós teremos a lucratividade de um banco incumbente, que tem estabilidade há anos”, comparou o executivo, que destacou que o Inter deve se tornar em 2021 o quarto maior banco brasileiro em número de correntistas, em um prazo de 48 meses, a considerar o início do projeto do banco de varejo.

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