Com desconto forte nas ‘techs’ em NY, Elo estuda fazer IPO na B3

Com desconto forte nas ‘techs’ em NY, Elo estuda fazer IPO na B3

Altamiro Silva Junior e Matheus Piovesana

03 de fevereiro de 2022 | 05h10

Abertura de capital na bolsa brasileira poderia ocorrer até maio  Foto: Daniel Teixeira/Estadão

A piora do humor dos investidores internacionais em relação às empresas de tecnologia está fazendo a Elo repensar os planos de lançar ações em Nova York. A bandeira de cartões, que tem como sócios Caixa, Bradesco e Banco do Brasil, agora avalia abrir o capital na B3, em uma operação que pode acontecer até maio. Isso, é claro, se o mercado local permitir. Jogar a oferta para o ano que vem – após a definição do cenário eleitoral no Brasil – seria uma possibilidade também à mesa.

A Elo buscava ser avaliada ao redor de US$ 2 bilhões na abertura de capital na Nasdaq – e captar cerca de US$ 600 milhões. Mas o investidor estava disposto a pagar bem menos em relação ao preço pedido, em um movimento que tem acontecido com outras empresas de tecnologia em processo de lançamento de ações. Os sócios resolveram então repensar os planos e esperar um melhor momento.

De acordo com uma fonte, haveria um descompasso na avaliação feita por investidores nos Estados Unidos. A bandeira tenta buscar avaliações parecidas com as de Visa e Mastercard, listadas na Bolsa de Nova York, que são negociadas a cerca de 45 vezes o preço/lucro.

O desconto pedido no valor das ações, porém, seria o mesmo têm sido aplicado nos papéis das fintechs que buscam fazer sua listagem neste momento. Neste ano, Visa e Master sobem perto de 10%. O Nubank, com múltiplos de 936 vezes, cai 25%. Na Nyse, a Visa é avaliada em US$ 492 bilhões (R$ 2,6 trilhões).

Investidor de varejo

A bandeira usará os recursos para investimentos – principalmente em tecnologia -, mas não tem necessidade imediata para o dia a dia da operação. Por isso, conseguiria esperar. Com o IPO no Brasil, um dos objetivos é atrair o investidor de varejo.

Nos EUA, ao contrário, fundos gigantes dedicados à tecnologia costumam ser os maiores compradores de ações da área. Desde que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) passou a sinalizar alta nos juros em 2022, o apetite por ações das ‘techs’ azedou de vez. O Nasdaq acumula baixa de 8% nos últimos 30 dias.

Em Nova York, a Elo buscava maior visibilidade internacional e estar junto às duas maiores bandeiras do mundo, a Visa e a Mastercard. Para o diretor de um banco de investimento americano, com operação principal no Brasil e pequena em relação às gigantes dos EUA, não faria muito sentido para a Elo listar papéis na bolsa americana.

Além disso, há ainda a avaliação de que seria difícil vender a Elo lá fora diante do fato de que dois de seus acionistas são bancos estatais, para os quais o investidor estrangeiro tem maior aversão em ano eleitoral.

Procurados, Caixa, Bradesco, BB e Elo não se pronunciaram.

 

Esta nota foi publicada no Broadcast no dia 02/02/22, às 16h27.

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