Com desova de ativos, Vinci compensa perda com PDG

Com desova de ativos, Vinci compensa perda com PDG

Coluna do Broadcast

03 de janeiro de 2018 | 09h20

A ofensiva da gestora Vinci Partners na venda de ativos em 2017 foi suficiente para compensar a perda nos últimos anos com a incorporadora PDG, em recuperação judicial. Após uma baixa de cerca de R$ 600 milhões com a empresa de construção apenas no braço de private equity, a salvação veio com o Burger King, que poderá render quase R$ 500 milhões somente em sua abertura de capital. Entre fatias vendidas e o porcentual de 11% que a Vinci manteve na rede de fast food, o fundo já registra mais de R$ 1 bilhão com o ativo, um alto retorno ante o aporte inicial de pouco mais de R$ 300 milhões. Fora isso, a gestora ainda vai embolsar R$ 145 milhões com a rede de locação de veículos Unidas, alvo de fusão com a Locamerica. Na Unidas, foram investidos R$ 100 milhões em 2011, mas uma parte da empresa já havia sido vendida para a Enterprise.

Problemáticos
Embora com desinvestimentos bem sucedidos como o do Burger King, outros negócios da Vinci enfrentam desafios. Na avaliação do mercado, o portfólio inclui empresas compradas a preços altos no boom econômico ocorrido de 2010 a 2014 e que em alguns casos enfrentaram a crise muito endividadas. Na PDG, os aportes milionários desde 2012 foram insuficientes para evitar a série de prejuízos que levou à recuperação judicial. O patrimônio da PDG será entregue aos credores para quitar quase R$ 6 bilhões em dívidas. A Vinci também é acionista do grupo de moda InBrands e, no passado, fracassou na tentativa de fusão da companhia com a Restoque.

Próximo
O calendário da Vinci para 2018 promete ser movimentado. Inclui mais desinvestimentos do fundo II e, em paralelo, investimentos do seu fundo III. Um dos ativos na manga é o grupo de seguros e resseguros Austral. Há conversas para venda a um investidor estratégico após negociação frustrada com o chinês Fosun, mas um IPO também é possível. Outro alvo é a rede de ensino superior a distância Uniasselvi. Apesar de a empresa estar na fila para um IPO, nesse caso fontes consideram que a Vinci deve permanecer como um acionista relevante diante do potencial de crescimento da companhia. Procurada, a Vinci não comentou. (Com Dayanne Sousa e Circe Bonatelli)

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