Com dívida fiscal de R$ 5 bi, Bombril pode ter de enfrentar nova recuperação

Com dívida fiscal de R$ 5 bi, Bombril pode ter de enfrentar nova recuperação

Cynthia Decoledt

31 de julho de 2022 | 05h30

Bombril ficou famosa por campanhas com bordão “Mil e uma utilidades”. Foto: Reprodução

Com a renúncia de parte dos executivos do alto escalão e uma dívida cara, a fabricante de produtos de limpeza Bombril pode ter de apelar a um pedido de recuperação judicial. Esta não é a primeira vez que o assunto volta à mesa da companhia nos últimos anos e o repertório é praticamente o mesmo das conversas anteriores. Há duas semanas, o presidente da companhia, Antonio Carlos Tadeu Werneck de Oliveira, renunciou ao cargo, assim como alguns membros da diretoria. Somente com o fisco, a dívida da Bombril supera R$ 5 bilhões. A alta da Selic e a pandemia prejudicaram os esforços que a empresa fazia desde 2016 para retomar o crescimento do negócio e colocar as finanças nos trilhos.

No mercado, comenta-se que um pedido de recuperação judicial estaria para ser entregue até meados de agosto. Ao mesmo tempo, fontes próximas à Bombril confirmam que a saída é estudada, não como primeira opção, já que há expectativa positiva para conversas mantidas com alguns credores. À Coluna, a Bombril informa que a utilização deste recurso está descartada, considerada a constante evolução dos resultados e da liquidez. “Com relação aos passivos tributários, os mesmos são periodicamente expressos em suas demonstrações contábeis, e não constituem obstáculo à regular operação da companhia”, escreveu a empresa, em nota.

A dívida com o governo não é o único problema. O balanço do primeiro trimestre mostra prejuízo líquido R$ 24,7 milhões, por conta de custos da dívida da empresa. O impacto fica evidente no resultado financeiro, que ficou negativo em R$ 26,5 milhões. A alavancagem financeira – relação de dívida líquida/EBITDA (geração de caixa) de R$ 8,3 milhões no período, é de cerca de 9 vezes. Segundo o professor da FIA Business School, Estevão Seccatto, a relação evidencia a situação de estresse financeiro da companhia, “que não vem de hoje”.

Boa parte da divida líquida, de R$ 296 milhões, está concentrada no curto prazo – R$ 275 milhões, têm vencimento em até 12 meses. Segundo Seccatto, será inevitável a rolagem da dívida ou a reestruturação financeira (judicial ou não). Chama ainda a atenção o custo da dívida, para ele, com taxas de 1,6% ao mês a 2,8% ao mês, em linhas de fomento e desconto de duplicatas.

A Bombril informa ainda no balanço que R$ 470 milhões foram dados em diferentes tipos de garantias, envolvendo a alienação fiduciária das marcas Kalipto, NO AR, Pinho Bril, Pinho Bril Plus, Mon Bijou e Limpol. Em março, a empresa rolou compromissos referentes a mais de R$ 60 milhões em debêntures, para pagamento em dois anos, a partir de 2023.

Empresa flertou com recuperação em 2016

A história é parecida com a que aconteceu em 2016. Fundada em 1948, a companhia que ficou conhecida por sua esponja de aço e o bordão “mil e uma utilidades”, flertou com a recuperação judicial, mas conseguiu contornar os problemas com um plano drástico de demissões e venda de marcas, com a ajuda do especialista em reestruturação de empresas Ricardo Knoepfelmacher, conhecido como Ricardo K.

Se de fato chegar à pedir ajuda judicial, não será a primeira experiência da empresa nessa área. Entre 2003 e 2006, a Bombril esteve sob proteção da Justiça contra credores. No fim do processo, o filho do fundador do negócio, Ronaldo Sampaio Ferreira, retomou o controle da companhia do grupo italiano Cirio, que havia adquirido a empresa nos anos de 1990. Desde 2006 também a Bombril tem sido acompanhado pelo advogado especialista em recuperação judicial, Eduardo Munhoz, atualmente conduzindo o processo da Novonor, ex-Odebrecht.

Esta reportagem foi publicada no Broadcast+ no dia 27/07/2022, às 11:40.O Broadcast+ é uma plataforma líder no mercado financeiro com notícias e cotações em tempo real, além de análises e outras funcionalidades para auxiliar na tomada de decisão.

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