Com juros em alta, grandes empresas com ‘corda no pescoço’ devem ir de 400 para 700

Com juros em alta, grandes empresas com ‘corda no pescoço’ devem ir de 400 para 700

Cristiane Barbieri

03 de novembro de 2021 | 05h40

Impacto da alta da Selic para empresas endividadas foi enorme, diz Ricardo K.   Foto: Felipe Rau/Estadão

O aumento dos juros básicos e da inflação e o PIB patinando devem fazer grandes estragos entre as empresas mais endividadas. Um dos mais renomados reestruturadores operacionais e financeiros do País, Ricardo Knoepfelmacher, conhecido por Ricardo K., diz que o número de consultas por parte de companhias interessadas em processos desse tipo mais do que dobrou nas últimas semanas. Para ele, no primeiro trimestre de 2022 ficará mais tangível o efeito.

Levantamento feito pela RK Partners, da qual Ricardo K. é sócio, mostra que existem hoje 400 empresas com dívidas acima de R$ 150 milhões e equivalentes a 3,5 vezes a geração de caixa. Com os juros esperados de quase 10% no fim do ano, a perspectiva é que o número de corporações com a “corda no pescoço” chegue a 700.

“As empresas não têm conseguido repassar a inflação para os preços de seus produtos, ao mesmo tempo em que têm visto aumento de insumos e margens declinantes”, diz K. “Com a Selic indo de 2% para 9,5% em 1,5 ano, o impacto para as empresas endividadas foi enorme”.

Recentemente, a RK Partners e a Itaú Asset anunciaram a criação de um fundo de R$ 500 milhões para ajudar a resgatar empresas em dificuldades, mas com potencial de retomar o ritmo dos negócios, cuja captação deve começar no ano que vem.

Conhecido por ter feito a reestruturação do Grupo Odebrecht e das empresas de Eike Batista, entre outros grandes processos, Ricardo K. diz que a metodologia que calcula o número de empresas fortemente endividadas é proprietária da RK. Usa dados da Serasa e outras bases privadas.

 

Esta nota foi publicada no Broadcast  no dia 02/11/21, às 15h51.

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