Com medo de quebras, Sofisa, Daycoval e Safra limitam crédito com duplicata

Com medo de quebras, Sofisa, Daycoval e Safra limitam crédito com duplicata

Cynthia Decloedt

20 de março de 2020 | 04h15

Os bancos menores começam a tomar medidas para se proteger da inadimplência e quebra de empresas, que deve crescer com a desaceleração econômica causada pela paralisação generalizada do País, por conta da pandemia do coronavírus. O movimento acontece apesar de o apelo do governo para que os bancos garantam liquidez às companhias. O foco, por enquanto, são as linhas de crédito voltadas a empresas médias e pequenas, que utilizam duplicatas e outros recursos que receberiam como garantia. O Banco Daycoval, por exemplo, decidiu desacelerar temporariamente a conta garantida, lastreada em cheques e duplicatas. No Banco Sofisa, os gerentes de conta para empresas foram informados que teriam de exigir garantia equivalente a 100% do crédito e as novas concessões estavam suspensas até que houvesse melhor entendimento dos desdobramentos e da magnitude da paralisação. O Safra não interrompeu as novas concessões para linhas a partir de duplicatas e recebíveis, mas aumentou o rigor nas análises.

Relevante. O mercado de crédito lastreado em duplicatas cresceu 13,5% entre fevereiro de 2019 e janeiro deste ano, para R$ 888 milhões, segundo os dados mais recentes da CRDC, central de registro de duplicatas. Desse montante, R$ 538 bilhões referem-se a operações realizadas no sistema financeiro nacional e o restante é proveniente de factorings e fundos de investimento em direitos creditórios (FIDC).

Com a palavra. Procurado, o Daycoval afirmou que está operando normalmente e atendendo os atuais clientes na conta garantida, bem como em diversas outras áreas de negócio. No entanto, acrescentou que tem havido queda no volume diário, devido à redução da demanda com a crise. A diretriz para linhas de crédito a novos clientes é de uma análise mais criteriosa e, portanto, demorada, devido ao aumento do risco no novo cenário. O Sofisa informou estar avaliando a evolução das medidas de contenção ao coronavírus tomadas pelos órgãos governamentais e que reagirá conforme as mudanças de cenário. Além disso, confirmou que, no momento, está evitando a abertura de novos relacionamentos de crédito, mas segue trabalhando em parceria com a base de clientes atual, buscando atender cada um de forma personalizada. O Banco Safra não respondeu.

Secou. Menos evidente do que a Bolsa, o mercado de debêntures, no qual empresas buscam dinheiro emitindo papéis de dívida tanto para conduzir seus negócios quanto para investir, também está sob forte pressão. Na compra e venda secundária, os papéis perderam valor e parâmetros de negociação, com o impacto nas companhias provocado pela paralisação dos setores produtivos. Os investidores passaram a exigir maior retorno para comprar debêntures. Em alguns casos, o valor de referência deixou de existir. Com isso, as emissões de novos papéis, previstas para acontecer a partir de março, estão sendo deixadas de lado ou operações sendo fechadas tendo os próprios bancos como compradores.

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