Com menor globalização, desafio do crescimento aumenta

Com menor globalização, desafio do crescimento aumenta

Cristiane Barbieri

27 de dezembro de 2020 | 10h46


Fabricantes de medicamentos brasileiros querem criar polo de produção de insumos latino-americano. FOTO: LQFEx/MINISTÉRIO DA DEFESA

Um mundo menos globalizado significa menos geração de riqueza e, consequentemente, um mundo mais pobre. “A globalização traz um grande vento para o crescimento global”, diz Ian Bremmer, sócio e fundador da Eurasia Group. “Pode não ser bem distribuído, mas é o melhor jeito de alcançá-lo, bem como a melhoria da expectativa de vida, da educação, das mulheres na força de trabalho… Reduzida a globalização, o crescimento será mais desafiador.”

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Para países periféricos como o Brasil, o impacto será significativo, já que, com a maior economia do mundo menos interessada em globalização, tudo ficará mais caro, segundo Bremmer.

Todas as nações tendem a buscar garantias de segurança de medicamentos e alimentar

Para Rodrigo Zeidan, professor de finanças e economia da NYU em Xangai, fora poucas áreas, como commodities, o País tende a sofrer menos. “O Brasil continua fora do jogo porque ainda é um dos países mais fechados do mundo”, afirma.

Mesmo assim, todas as nações tendem a recrudescer o fechamento de fronteiras, em função da pandemia de coronavírus. “Todos os países começarão a priorizar suas cadeias de suprimentos e a segurança alimentar”, diz Zeidan.

A Alemanha, por exemplo, tinha bilhões de máscaras em sua reserva de saúde e resolveu tirar essa despesa de seu orçamento anos atrás, diz Zeidan. Fez uma parceria com uma empresa chinesa, que as forneceria em caso de emergência. Só não contava com o fato de que a China poderia não ter capacidade de distribuição dessas máscaras, como aconteceu durante a pandemia.

Associação de fabricantes de medicamentos quer criar polo de insumos na América Latina

Assim, movimentos de segurança em várias cadeias produtivas começam a ser vistas em todo o mundo, inclusive no Brasil. A Associação dos Laboratórios Farmacêuticos Nacionais (Alanac), por exemplo, tem conversado com o governo para a criação de um polo regional de produção de insumos para o setor, na América Latina.

Com mais de 90% da matéria-prima da indústria vinda de China, Índia e outros países, o setor se viu em grande dificuldade de conseguir insumos durante a pandemia. Com os portos funcionando precariamente e o dólar nas alturas, houve dificuldade de fabricação de remédios. “É questão de soberania produzir medicamentos e insumos”, diz Henrique Tada, presidente-executivo da Alanac.

 

Esta reportagem foi publicada no Broadcast+ no dia 22/12/2020, às 14:29:09 .

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