Com militares em 24 postos de comando, energia sofre em ações contra crise

Com militares em 24 postos de comando, energia sofre em ações contra crise

Cristiane Barbieri e Anne Warth

01 de setembro de 2021 | 05h01

Oficiais ocupam postos de liderança também em Itaipu  Foto: Alexandre Marchetti/Itaipu Binacional

O presidente Jair Bolsonaro colocou militares em pelo menos 24 posições estratégicas do setor de energia. Além do próprio ministro das Minas e Energia, general Bento Albuquerque, há mais oficiais nas lideranças de MME, Itaipu, Petrobras, bem como na superintendência da Agência Nacional de Petróleo (ANP). Com o agravamento da crise energética, a avaliação de especialistas é que os alertas à população deveriam estar sendo feitos de forma mais contundente e as discussões sobre um eventual racionamento precisariam estar sendo aprofundadas neste momento. Em energia, o planejamento não é simples e as negociações levam meses. Porém, por força do treinamento recebido e por não terem um currículo na área a zelar, os militares da energia estariam deixando de lado práticas mais eficientes do setor e priorizando determinações de Bolsonaro, que teme o impacto de um racionamento em sua tentativa de reeleição.

Bento Albuquerque, por exemplo, queria ter falado sobre o agravamento da crise hídrica em cadeia nacional de rádio e TV na semana passada. A iniciativa teria sido vetada pelo presidente. Diante da persistente piora no nível dos reservatórios, o pronunciamento foi veiculado nesta terça-feira, 31.

Bolsonaro também deixou o ministro numa saia-justa no debate sobre o pagamento de taxas pelos donos de painéis solares. Embora os técnicos fossem favoráveis à cobrança, Bolsonaro interditou o debate, ao se colocar contra o que chamava de “taxar o sol”. Um projeto de lei sobre o assunto foi aprovado há poucas semanas na Câmara, sob uma articulação bastante discreta e liderada pela equipe do MME. O texto ainda precisa passar pelo Senado.

Crise adiada

A crise, para os especialistas, não foi causada pelo comando militar. O setor vive sob ameaça há quase uma década – e o colapso só não aconteceu por crises econômicas sucessivas. Porém, quem convive com as reviravoltas da área há anos diz que o aparelhamento das instituições de acordo com interesses do governo da vez, em detrimento de uma política de Estado, é um movimento que reforça a fragilidade institucional à qual estatais e órgãos públicos de controle estão submetidos. Procurado, o MME não se pronunciou.

O Estadão/Broadcast já havia mostrado o movimento da militarização da energia, em março. Leia mais aqui.

 

 

Esta nota foi publicada no Broadcast+ no dia 31/08/21 às 19h24.

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