Com pandemia, projeto chinês de mineração de US$ 2,1 bi deve atrasar mais um ano

Com pandemia, projeto chinês de mineração de US$ 2,1 bi deve atrasar mais um ano

Mariana Durão

03 de junho de 2020 | 04h59

FOTO José Cruz/Agência Brasil

A Sul Americana de Metais (SAM), controlada pela chinesa Honbridge Holdings, já estima atraso de cerca de um ano no início da operação do complexo minerário de US$ 2,1 bilhões que planeja desenvolver no norte de Minas Gerais. O grupo vem enfrentando dificuldades no licenciamento ambiental, suspenso em janeiro pela Justiça Federal a pedido do Ministério Público Federal e do Ministério Público de Minas Gerais.

Com a pandemia da covid-19, tudo ficou ainda mais lento e a última audiência marcada para o caso foi suspensa. “O licenciamento está parado. Infelizmente o cronograma sofre um atraso. A previsão era iniciar a operação no fim de 2024 ou início de 2025. Agora a estimativa é fim de 2025”, disse ao Broadcast a diretora de Relacionamento em Meio Ambiente da SAM, Gizelle Andrade. A SAM esperava obter a Licença Prévia do projeto ainda este ano, mas agora já admite que deve ocorrer apenas em 2021.

Mesmo com atraso, interesse em investimentos está mantido

Apesar do atraso e do cenário econômico mais complicado, ela afirma que a Honbridge reitera o interesse em realizar o investimento em Minas. “A paralisação do licenciamento e a pandemia serão superadas. Os investidores têm um planejamento de longo prazo”, diz.

Batizado de Bloco 8, o projeto terá usina de tratamento e uma megabarragem, com capacidade para armazenar 845 milhões de metros cúbicos de rejeitos. É 70 vezes mais que a barragem da Vale que estourou em Brumadinho, o que tem gerado reações de movimentos sociais. Haverá ainda um mineroduto de 480 quilômetros – orçado em US$ 1,2 bi -, a ser construído pela empresa Lotus Brasil.

A SAM teve de fazer alterações no projeto para dar mais segurança ao armazenamento de rejeitos, após as tragédias de Mariana e Brumadinho. As mudanças já elevaram o custo da construção da barragem da SAM em 62%, para R$ 1,1 bilhão.

Memorando com gigante Huawei deve ser assinado em junho

Enquanto aguarda as licenças ambientais, a SAM tenta acertar outras pontas do projeto. Uma delas será a assinatura, em junho, de um memorando de intenções com a gigante chinesa Huawei, líder global da tecnologia 5G cujo avanço vem sendo combatido pelo governo dos Estados Unidos. O foco será o fomento a novas tecnologias do processo minerário, como caminhões e escavadeiras autônomos, e melhoria das telecomunicações para a região.

O CEO da SAM, Yongshi Jin, diz que o preço do minério, hoje em alta, é cíclico e, portanto, é difícil prever em que cenário o Bloco 8 entrará em operação. “O que podemos afirmar é que temos um projeto com viabilidade financeira e competitividade de mercado”, afirma.

Para presidente de empresa, Brasil tem potencial em relação à Austrália

Segundo ele, comparado à Austrália, o Brasil tem grande potencial para expandir as exportações da commodity para a China. Pelos seus cálculos, em 2019 o gigante asiático importou um total de 1,073 bilhões de toneladas de minério de ferro, das quais 67,38% da Austrália e apenas 22% do Brasil.

Se o projeto avançar a SAM deverá produzir 27,5 milhões de toneladas de minério de ferro por ano no País. Sua controladora já tem memorandos de entendimentos firmados com as siderúrgicas Capital Steel e Valin Iron & Steel Group para fornecimento de até 10 milhões de toneladas anuais de minério a cada uma das empresas.

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