Com piora da economia, bancos vendem em 2 meses R$ 16 bi em créditos podres

Com piora da economia, bancos vendem em 2 meses R$ 16 bi em créditos podres

Cynthia Decoledt e Circe Bonatelli

29 de julho de 2022 | 05h25

Bradesco colocou à venda R$ 5,5 bilhões em ‘créditos podres’. Foto: Alex Silva/AE

Os bancos estão acelerando a venda de suas carteiras de créditos vencidos e não pagos, também chamados de “podres”, diante da piora das condições econômicas e da possibilidade de fazer algum dinheiro com elas. Desde o mês passado, o montante já soma cerca de R$ 16 bilhões, considerando o anúncio recente feito ao mercado pelo Bradesco, de uma oferta de R$ 5,5 bilhões. O banco ainda não deu muitos detalhes sobre as 13 carteiras que estarão disponíveis, mas já informou que a venda deve acontecer em agosto. Também já se sabe que os créditos que devem compor a venda estão vencidos em média há 2,8 anos. Os demais bancos que venderam carteiras podres no mês passado são o Santander (R$ 7 bilhões) e o Itaú Unibanco (R$ 3,6 bilhões). O Santander ainda não finalizou o processo de venda.

Os bancos tiveram piora significativa no volume de créditos em atraso desde o fim do ano passado e, como esse mercado está mais amadurecido, as desovas vêm aumentando. Nos três primeiros meses do ano, os créditos vencidos entre 90 a 180 dias subiram 12,5% nos cinco maiores bancos, alcançando R$ 28 bilhões.

Itaú já trabalha em nova oferta

O Itaú Unibanco finalizou a venda de suas carteiras há duas semanas e já trabalha em uma nova oferta, que, de acordo com fontes do mercado, deve envolver o mesmo volume de julho. Entre os grandes bancos, o Itaú era um dos únicos que ainda não havia vendidos créditos vencidos para outras casas. Normalmente, o banco faz as desovas para a Recovery, empresa do grupo que compra, vende e recupera créditos.

Na venda dos seis lotes feita em julho pelo Itaú, a Return, empresa especializada na aquisição e recuperação de créditos do Santander, levou os quatro de pessoas físicas, que valiam R$ 2,5 bilhões pelo valor de face. Das duas outras carteiras, somando R$ 1,1 bilhão em créditos de pequenas e microempresas, uma ficou com a Ativos, que também atua nesse mercado e pertence ao Banco do Brasil, e a outra, bem pequena, não encontrou comprador.

Procurado, o Bradesco não comentou. O Itaú Unibanco disse que as carteiras cedidas em julho foram majoritariamente de operações sem impacto no balanço, com atraso médio de mais de 2,5 anos e já integralmente provisionadas. “Cessões de carteira fazem parte das operações normais do banco”, afirmou, por meio de nota.

 

 

Esta reportagem foi publicada no Broadcast+ no dia 27/07/2022, às 12:15.O Broadcast+ é uma plataforma líder no mercado financeiro com notícias e cotações em tempo real, além de análises e outras funcionalidades para auxiliar na tomada de decisão.

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