Com Tencent, brasileira Zenvia toca o sino na Nasdaq e mira receita 30% maior

Com Tencent, brasileira Zenvia toca o sino na Nasdaq e mira receita 30% maior

Aline Bronzati

27 de julho de 2022 | 16h10

Cassio Bobsin, fundador da Zenvia, na Nasdaq. Foto: Paulo Machado/Divulgação

A brasileira Zenvia, de tecnologia, traçou um plano de crescimento orgânico parrudo para os próximos anos após concluir sua décima aquisição neste ano. Com suporte da chinesa Tencent, dona do gigante aplicativo de mensagens WeChat, a meta da empresa fundada no Rio Grande do Sul é expandir suas receitas anuais em 30% até 2025, com impulso, principalmente, do negócio de software como serviço (SaaS, na sigla em inglês), baseado na nuvem.

Um ano após levantar R$ 1 bilhão em sua abertura de capital (IPO, na sigla em inglês), a Zenvia conseguiu tocar somente hoje o sino na Nasdaq, berço da tecnologia nos Estados Unidos. Um dos momentos mais aguardados das empresas que listam ações, a cerimônia foi adiada por conta da pandemia. “A emoção é diferente de fazer pelo Zoom e presencial”, resume o fundador e presidente da Zenvia, o gaúcho Cássio Bobsin, em entrevista ao Broadcast.

A celebração e os planos de crescimento contrastam com o desempenho das ações da empresa na Nasdaq. Afetada pelo movimento de baixa que atingiu o setor de tecnologia em meio à subida de juros nos países desenvolvidos, em especial nos EUA, a gaúcha enfrenta uma queda de mais de 80% na Nasdaq desde que colocou os pés lá, em julho do ano passado. De US$ 13 no IPO, os papéis abriram hoje a US$ 2,46.

“Estamos executando o plano proposto aos investidores, focado em aquisições, crescimento bastante intenso de receita e expansão internacional”, afirma Bobsin. “Agora, o mercado tem a sua própria dinâmica e o cenário macroeconômico impacta. Faz parte”, diz, referindo-se ao mau desempenho das ações na Nasdaq.

Um ano após o IPO, a Zenvia organizou o primeiro encontro com investidores internacionais, o chamado Investor Day, em Nova York. Com a chancela de um nome de peso como o da chinesa Tencent, a empresa abriu suas metas para os próximos anos, cujo foco é crescer, principalmente, de forma orgânica e no Brasil, embora novas aquisições não sejam descartadas.

Planos de expansão

Para 2022, a Zenvia espera elevar suas receitas totais em 50%. Desse total, 20% virão das aquisições feitas até aqui, enquanto os 30% representam o crescimento orgânico, em linha com a meta apresentada aos investidores para os próximos três anos. A expectativa é de avanço em todas as linhas de negócios, mas, principalmente, na área de software como serviço, que deve predominar no setor em que a empresa está focada. Considerando o negócio principal, da Zenvia, que é uma plataforma de comunicação ( CPaaS , na sigla em inglês), e o SaaS, este mercado na América Latina tem potencial de atingir US$ 4,4 bilhões em 2022 e US$ 9,0 bilhões em 2026, segundo a empresa de pesquisa IDC.

Depois de dez aquisições, a Zenvia quer se concentrar em crescer dentro de casa. “Sempre utilizamos o instrumento de aquisições. Fizemos a décima aquisição esse ano e finalizamos uma etapa importante do movimento de expansão da companhia. Agora, queremos trabalhar em outras frentes”, afirma o presidente da empresa.

O plano é avançar, sobretudo, no Brasil, onde há um espaço “muito grande” de crescimento, de acordo com o diretor financeiro (CFO, na sigla em inglês) da Zenvia, Shay Chor. Em paralelo, a empresa segue com o projeto de expansão internacional. Conforme Chor, de 5% a 7% da receita total já vêm de fora do Brasil, principalmente, da América Latina e alguns países da América do Norte e Europa. “Não temos uma meta específica para o negócio internacional”, explica o diretor de RI.

Crise vira oportunidade

Apesar do ambiente macroeconômico afetar o desempenho da Zenvia na bolsa, no dia a dia, a dinâmica é diferente, conforme Bobsin. Segundo ele, ainda que o Brasil enfrente revisões para baixo em termos de crescimento para o Produto Interno Bruto (PIB) no próximo ano, é justamente em momentos de crise que as empresas buscam eficiência e soluções tecnológicas. “As empresas continuam investindo em melhorar a experiência do cliente, seguem contratando”, diz, reforçando que os negócios da empresa estão “resilientes”.

A fortaleza também se vê no quadro de acionistas da empresa. Aproveitando-se do “saldão” das ações na Nasdaq, na esteira da derrocada do valor de mercado de empresas de tecnologia, os chineses da Tencent triplicaram a participação na Zenvia em menos de seis meses. Com o último movimento, no fim de maio, a dona do WeChat avançou a uma participação de 15,2% dos papéis ordinários e 6,5% das ações totais.

Bobsin se orgulha do investidor de peso e afirma que a Zenvia mantém uma relação “estreita” com a sua base de investidores. Não abre, porém, se o apetite dos chineses é de ir além no capital da gaúcha, fundada em 2004, e dona do título de primeira empresa de SaaS na Nasdaq.

Esta reportagem foi publicada no Broadcast+ no dia 27/07/2022, às 14:41.O Broadcast+ é uma plataforma líder no mercado financeiro com notícias e cotações em tempo real, além de análises e outras funcionalidades para auxiliar na tomada de decisão.

Para saber mais sobre o Broadcast+ e solicitar uma demonstração, acesse. 

Contato: colunabroadcast@estadao.com

Tudo o que sabemos sobre:

zenviaTencentnasdaq

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.