Com turbulência local, BB DTVM aumenta espaço de ativos globais nas carteiras

Com turbulência local, BB DTVM aumenta espaço de ativos globais nas carteiras

Cynthia Decloedt

04 de abril de 2021 | 05h10

Investidor observa tela de ações na Bolsa. Foto: Werther Santana / Estadão

Com a turbulência elevada no Brasil e a perspectiva de melhora das condições macroeconômicas em outros países conforme a pandemia da covid-19 for controlada, a BB DTVM segue focada em manter em ativos globais uma parcela da exposição de seus fundos pelo menos até o final do ano. A estratégia, de acordo com o responsável pela gestão de ações multimercado e offshore da BB DTVM, Marcelo Arnosti, é a de agregar mais risco para capturar os ganhos do ciclo de recuperação de economias no exterior em 2021, em um ambiente de juro ainda baixo.

Esse investimento não depende necessariamente de aportes diretos em mercados internacionais. De acordo com o gestor, fundos de índice (ETFs, na sigla em inglês) negociados na B3 e referentes a ativos de fora, recibos brasileiros de ações internacionais (BDRs) ou mesmo os papéis de empresas locais exportadoras, como as de siderurgia, mineração ou as produtoras de papel e celulose, podem contribuir para essa diversificação.

“Daqui até o fim do ano, poderemos ver um crescimento internacional forte, com a pandemia perdendo força lá fora, à medida que a vacinação avança nos Estados Unidos e também na Europa”, diz ele em conversa com o Broadcast. Segundo Arnosti, embora haja obstáculos de curto prazo no exterior relacionados à pandemia, a vacinação avança no mundo e é razoavelmente efetiva contra as novas cepas do vírus, o que gera expectativas de retomada.

Na opinião dele, a partir de maio deve ficar mais claro se os países europeus estão conseguindo superar o agravamento da pandemia, e a recuperação da economia na região deve acontecer no segundo e terceiro trimestres. Uma desaceleração natural no ritmo viria no quarto trimestre deste ano e no primeiro trimestre de 2022.

O gestor também não se preocupa com a possibilidade de alta nos juros dos Estados Unidos, movimento que costuma pesar sobre as bolsas e provocar realocações de recursos entre os ativos financeiros em escala global. “O Fed (banco central norte-americano) tem dito que vai manter o juro no patamar atual até o fim do ano, e estamos confortáveis com isso”, observa. Arnosti acredita ainda que movimentos de alta dos juros no exterior neste momento teriam motivação positiva, já que seriam fruto de uma percepção de crescimento global.

As carteiras que estão sob sua gestão atualmente têm exposição a ativos do Reino Unido e da Europa e a mercados acionários globais, que costumam ser cíclicos e associados a commodities. “Se nossa visão de mundo está certa, os latino-americanos, emergentes e o mercado britânico devem ter desempenho melhor do que o índice norte-americano S&P e o mercado asiático até o fim do ano”, diz ele. A explicação: no primeiro grupo há setores mais sensíveis a momentos em que a economia global está em alta – empresas de commodities entre eles.

“Me parece que faz sentido agregar mais risco agora do que fazia no final do ano passado”, completa. Segundo ele, essa estratégia vem sendo empregada pela BB DTVM desde outubro do ano passado, e foi eficiente em manter retornos adequados mesmo diante de um ambiente doméstico mais difícil.

A partir de 2022, comportamento dos juros pode mudar

De acordo com o gestor, a partir de 2022 a história pode ser outra. “O quadro do início do próximo ano está menos claro”, afirma. Ele lembra que no início de 2022 deve haver discussões mais “acaloradas” em relação ao comportamento do Fed, envolvendo, além da direção do juro, um eventual encerramento do programa de compra de títulos do mercado, outro fator que ajudou a elevar os preços dos ativos. Arnosti cita ainda discussões relacionadas ao ciclo de crédito na China, que tendem a ganhar força no começo do ano que vem.

Em relação ao cenário doméstico, Arnosti afirma haver um debate neste momento sobre se a Bolsa, com o Ibovespa nos 115 mil pontos após uma máxima de 125 mil, está ou não barata e se o desconto que está implícito nos preços das ações é ou não exagerado. “Parte das ações que está lá [Ibovespa] é voltada para atividades globais. O que está fraco na Bolsa brasileira são os papéis relacionados ao mercado doméstico”, cita.

Segundo o gestor, a casa acredita em retomada econômica no País no segundo semestre, mas a convicção é muito menor do que aquela que se tem em relação ao exterior por conta do processo de vacinação contra a covid, mais lento por aqui.

 

Esta reportagem foi publicada no Broadcast+ no dia 30/02/2021 às 15:25

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