Compass avança no mercado com Yara, mas diz estar longe de dominar gás

Compass avança no mercado com Yara, mas diz estar longe de dominar gás

Wilian Miron

08 de agosto de 2021 | 05h00

Compass adquiriu a fatia da Petrobrás na Gaspetro por R$ 2 bilhões Foto: Agência Petrobrás

Um dos principais desafios para que a Compass consiga efetivar a compra da participação da Petrobrás na Gaspetro é provar ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) que ainda haverá concorrência no mercado de gás. A venda da fatia de 51% do negócio foi anunciada no fim do mês passado, por R$ 2 bilhões. A empresa que pertence ao Grupo Cosan, porém, continua avançando em outras frentes no mercado de gás natural. Com o destravamento do mercado livre do insumo, a partir das mudanças na legislação que aconteceram em abril, a Compass fechou mais um contrato e se tornará fornecedora da fabricante de fertilizantes Yara. É seu segundo acordo. O primeiro foi feito com a Rhodia, na semana passada.

Segundo o diretor presidente da Compass Comercialização, Sergio Silva, a empresa negocia contratos no mercado livre com mais de uma dezena de empresas, que seriam supridas pelo terminal de regaseificação, a ser implantado no Porto de Santos e que terá potencial para fornecer 14 milhões de metros cúbicos por dia (m³/d). “A Compass está muito distante de ter qualquer posição dominante no mercado de gás, mas vamos tentar ser um competidor relevante”, afirmou.

Com a estrutura, a empresa pretende participar de chamadas públicas das distribuidoras de energia, a partir de 2023. “Temos dezenas de clientes em São Paulo e outros Estados, entre industriais e distribuidoras de gás”, disse ele.

Acordo

O acordo com a Yara deve suprir a demanda de 700 mil metros cúbicos diários (m³/d) de gás que a fabricante de fertilizantes consome atualmente, daqui dois anos. A ideia é reduzir custos de fertilizantes nitrogenados. Hoje, o gás é a principal matéria-prima para a fabricação desses insumos e responde por até 80% do custo variável de produção.

De acordo com o vice-presidente de soluções industriais da Yara Internacional, Daniel Hubner, a empresa tenta há pelo menos dois anos migrar para o mercado livre. Atendida hoje pela Comgás, também do Grupo Cosan, a Yara terá no mercado livre flexibilidade na indexação dos preços, que poderão ser atrelados ao Brent, Henry Hub, ou índices como TTF e JKM. O contrato com a Compass visa atender a fábrica de Cubatão (SP), mas a Yara já vislumbra consumir o produto gás em outras unidades.

Para a diretora técnica de Economia e Estatística da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), Fátima Coviello, a falta de competitividade dos fertilizantes brasileiros é um problema que deve ser mitigado com a abertura no mercado de gás natural. Atualmente, aproximadamente 75% da demanda por fertilizantes no Brasil é atendida produtos importados dos Estados Unidos, Rússia e Oriente Médio. Em algumas categorias, como a ureia, o porcentual pode chegar a 90%.

“A demanda por fertilizantes no Brasil é bastante expressiva, mas tem sido atendida por produtos importados, então vejo essa abertura como oportunidade de novos investimentos para termos novas fábricas e outro padrão de competitividade”, diz ela.

 

Esta nota foi publicada no Broadcast+ no dia 06/08/2021, às 18h23.

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