Confiantes na privatização, gestores anteciparam aposta em Eletrobras

Confiantes na privatização, gestores anteciparam aposta em Eletrobras

Cynthia Decloedt e Altamiro Silva Júnior

05 de junho de 2022 | 05h18

Expectativa é de ganho de eficiência nas operações após privatização  Foto: Fabio Motta/Estadão

Alguns gestores e investidores se anteciparam ao anúncio da oferta de ações da Eletrobras, e já compraram papéis no mercado para garantir a presença da elétrica em suas carteiras. Por se tratar de uma privatização, era esperado que uma parte e não o total da oferta fosse colocado aos investidores institucionais e ao mercado. Parte importante da operação deve ficar com o varejo, voltada para o pequeno investidor, que pôde começar a reservar seus papéis na sexta-feira, 3.

A oferta total, que pode chegar a R$ 35 bilhões, foi protocolada na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e na Securities and Exchange Comission (SEC) no dia 27 de maio, mas no início do ano, bancos de investimentos já comentavam ativamente sobre a possibilidade de a privatização da Eletrobras acontecer em 2022, de preferências antes das eleições.

Ação superou R$ 40 no começo de abril

Na semana anterior ao registro da oferta, quando o Tribunal de Contas da União (TCU) deu aval à privatização, a operação já estava bem organizada. Os agentes de mercado já tinham mapeados os investidores interessados e as grandes assets, com seus fundos para a compra das ações com uso de recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) estruturados. Por isso, quem pôde foi às compras na B3, o que fez a ação superar os R$ 40 no começo de abril, o que não acontecia desde agosto doe 2021. No ano, o papel acumula valorização de 29%, subindo bem mais que o Ibovespa.

Fontes acreditam que cerca de um terço da oferta poderá ser subscrita pelos atuais acionistas, funcionários, aposentados e por fundos de varejo que darão acesso às ações da Eletrobras com recursos do FGTS. O restante viria ao mercado, ou seja, entre R$ 20 bilhões e R$ 25 bilhões. Embora o volume seja expressivo, uma parte deve vir dos investidores estrangeiros, que têm capacidade de ficar com fatias grandes, já que o real está depreciado. O governo vê potencial de demanda alta, com chance de superar em três vezes, ou até mais, o total da oferta.

“A regra de alocação poderia fazer com que sobrasse pouco para os que não são [investidores] âncoras”, disse um gestor de grande fundo independente, que preferiu não ser identificado. Apesar do risco de perda implícito em uma aposta como essa ou da possibilidade de até vender o papel depois da oferta para os que não conseguiram comprar, o gestor afirma que a estratégia é capturar o valor desse processo de transformação de uma empresa pública em privada.

“Chance de apostar é agora”

Há expectativa de que sem o governo no controle da companhia, a Eletrobras possa fazer investimentos que estavam represados e melhorar a eficiência de suas operações de geração e transmissão de energia. Como observa um gestor americano, não haverá uma outra Eletrobras à venda no Brasil, por isso, a chance de apostar é agora. Ele acredita que haverá demanda forte, principalmente de fundos de energia limpa espalhados pelo mundo.

A tese, no entanto, não é consenso. Alguns outros gestores afirmam que a demanda para as ações da Eletrobras na oferta não está totalmente clara, inclusive entre os estrangeiros. “Não sei se há demanda suficiente entre os estrangeiros para o deal (negócio) inteiro, capaz de criar uma percepção de que vai faltar papel para os fundos locais”, observou o gestor também de outra grande casa, estrangeira, presente no Brasil.

 

Esta nota foi publicada no Broadcast no dia 03/06/22, às 09h00

O Broadcast+ é uma plataforma líder no mercado financeiro com notícias e cotações em tempo real, além de análises e outras funcionalidades para auxiliar na tomada de decisão.

Para saber mais sobre o Broadcast+ e solicitar uma demonstração, acesse.

Tudo o que sabemos sobre:

energiaeletrobrásprivatizaçãoIPO

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.