Confusão macro-política atrapalha e mercado perdeu a paciência, diz gestor da JGP

Cynthia Decloedt

19 de agosto de 2021 | 12h19

Pessoa observa painel com cotação de ações no salão da B3. Crédito da foto: Gabriela Biló / Estadão

A temporada de balanços do terceiro trimestre foi uma das melhores já vistas, o número de ofertas iniciais de ações não para de bater recordes, mas a “confusão macro-política” está atrapalhando e o mercado “perdeu a paciência”, diz o sócio e gestor da JGP, Marcio Correia.

“Ninguém sabe o que vai acontecer com os auxílios que o governo está desenhando para a população, com os precatórios que tiveram as regras alteradas, e também com a reforma tributária”, afirma. Todos esses fatores tendem a contribuir para um desequilíbrio ainda maior das contas do governo. Sinal, para o mercado, de que é hora de por o pé no freio.

Além disso, apesar de haver um número maior de pessoas físicas na Bolsa, o movimento do mercado de capitais é feito, de verdade, por grandes investidores. “É uma questão de fluxo”, diz o sócio da JGP, que tem cerca de R$ 30 bilhões sob gestão. “Com o juro subindo em uma velocidade maior do que a esperada e a inflação dando sinais de alta, virou um jogo de rouba monte e o ‘buy side’ cansa.”

Por isso, os estímulos para o ingresso em novas ofertas diminuíram muito, especialmente diante de um cenário em que uma boa parte das ações lançadas ao mercado tem caído. Muitas das entrantes não têm histórias consolidadas e o crescimento firme depende de muitas variáveis. Mais uma vez, o cenário macro-político incerto prejudica. “Muitos fundos estão com várias posições com desempenho de mediano para ruim, e só devem sair aquelas ofertas de empresas que forem boas mesmo”, afirma. (ver tabela abaixo)

Dominó

Hoje, por exemplo, a empresa do setor agrícola Vittia decidiu postergar sua oferta, por conta da volatilidade do mercado. Seria uma segunda tentativa de levar a empresa a Bolsa e a oferta já havia sido remodelada, para uma distribuição restrita. Com isso, o tamanho da oferta já havia sido reduzido para pouco mais de R$ 500 milhões.

A exportadora de grãos AgriBrasil recolheu sua operação prevista para a semana passada, com a qual pretendia movimentar pouco mais de R$ 230 milhões na sua entrada na bolsa.

“O boom de ações já passou”, afirma Correia, lembrando que o cenário ainda mais perigoso é de uma alta no juro no exterior antes do esperado. O numero de IPOs este ano já ultrapassa 40, contra 31 de 2020, enquanto em volume financeiro, foram movimentados mais de R$ 65 bilhões, contra R$ 53 bilhões em todo o ano passado.

Esta reportagem foi publicada no Broadcast+ no dia 18/08/2021 às 16:28

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