Conselheiro aponta insegurança na Usiminas e pede reforma de forno

Conselheiro aponta insegurança na Usiminas e pede reforma de forno

Fernanda Guimarães

21 de fevereiro de 2020 | 05h10

Uma carta enviada por um dos conselheiros da Usiminas ao colegiado da siderúrgica mineira na semana passada esquentou o clima na companhia, que vinha vivendo tempos mais calmos. Nela, Luiz Miranda, representante dos funcionários, e seu suplente, Edílio Ramos, relacionam a postergação da reforma do alto-forno 3 na usina de Ipatinga, em Minas Gerais, ao aumento de riscos da operação, que já tem registrado acidentes ao longo dos últimos anos. “Não se pode mais negligenciar os riscos inerentes à sobreutilização do alto forno 3, que já ultrapassou a vida útil para a qual foi planejado e construído”, destaca a carta. A manifestação diz ainda que acidentes como o ocorrido no dia 6 de janeiro, no qual funcionários passaram mal após a inalação de gás, “têm evidenciado a progressão dos riscos e gerado um início de ano apreensivo para os colaboradores da Usiminas”. Miranda lembra ainda a explosão do gasômetro da usina que deixou mais de 30 pessoas feridas em 2018.

Recauchutagem. O alto-forno 3 é o principal da Usiminas e sua reforma, que custará mais de R$ 1 bilhão, estava inicialmente marcada para o ano que vem. No entanto, a companhia postergou o investimento em um ano, após informar que ele poderia operar até meados de 2022, conforme estudo de engenharia. O alto-forno 3 foi inaugurado em 1974 e sua última reforma ocorreu em 1999.

Apelo. Miranda pede ao conselho da Usiminas e aos acionistas controladores, no caso Ternium e Nippon Steel, que restabeleçam os investimentos que já foram aprovados pelo conselho. Apela, ainda, para um trabalho de “humanização” na usina de Ipatinga, incluindo os trabalhadores terceirizados que “são explorados”. E afirma: ?sob pena de perdermos mais vidas com a nossa negligência?, diz na carta.

Com a palavra. Por meio de nota, a Usiminas disse que “a decisão do adiamento da reforma do AF3 baseou-se em rigorosos estudos de engenharia, que indicaram que o equipamento pode continuar operando até meados de 2022”. Segundo a empresa, a decisão foi aprovada por unanimidade por seu conselho. “A segurança dos colaboradores é prioridade para a Usiminas”, escreveu.

Vai e volta. Em meio a um resultado de 2019 ruim e de ruídos em seu conselho de administração, a Usiminas nessa semana informou as indicações para o próximo mandato da diretoria, incluindo a reeleição de Sérgio Leite, atual presidente. Mesmo com o documento já deixando claro que os nomes eram uma indicação passível de aval do conselho e ainda da assembleia dos acionistas, no dia seguinte a Usiminas reforçou a necessidade de aprovação dos nomes pelo conselho, conforme o acordo de acionistas.

Notícia publicada no Broadcast no dia 20/02/2020, às 15:48:36

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