Conselheiros e diretores do BB podem deixar cargo após troca na presidência

Aline Bronzati

21 de março de 2021 | 05h00

Banco do Brasil terá novo presidente  Foto: Fabio Motta/Agência Estado

A troca na presidência do Banco do Brasil, seis meses após o desembarque de André Brandão, vindo do HSBC, deve desencadear uma forte baixa no Conselho de Administração do conglomerado, seguindo o que ocorreu na Petrobras, apurou o Broadcast com três fontes, que pediram anonimato. O colegiado já vinha apresentando insatisfação com a interferência do governo de Jair Bolsonaro nas estatais e a fritura do executivo nos últimos meses. A indicação de Fausto Ribeiro, que tocava até então a área de consórcios do banco e antes só ocupou cargos de gerência, seria o estopim.

As mudanças não são esperadas apenas no colegiado. De acordo com fontes internas do banco, diretores e vice-presidentes já começaram a sinalizar que podem seguir Brandão e abandonar o barco. Os nomes ainda são mantidos em sigilo. Na vice-presidência são esperadas ao menos duas baixas, relata uma das fontes.

A insatisfação após o anúncio, na noite de quinta-feira, foi geral. Pesou principalmente o fato de Ribeiro ter chegado ao segundo escalão do BB há pouco tempo, após ter sido promovido para a presidência da BB Consórcios. Antes, todos os cargos que ocupou foram no patamar de gerência, o que desencadeou o incômodo nos bastidores do banco, que consideram o salto dele “meteórico”.

No Conselho de Administração, as baixas devem ocorrer, mas por ora, uma ‘renúncia coletiva’, por exemplo, estaria descartada. Os membros indicados por acionistas minoritários, Luiz Serafim Spinola Santos e Paulo Roberto Evangelista de Lima, estariam no time que deve permanecer.

Presidente do conselho de administração está insatisfeito com clima no Banco do Brasil

O presidente do Conselho, Hélio Magalhães, com carreira longeva no universo bancário, é um dos que tem demonstrado decepção a pessoas próximas e que poderia largar o bastão, conforme apurou o Broadcast. Ele aceitou o convite para assumir a cadeira diante da bandeira da equipe econômica de dar uma cara privada aos colegiados dos bancos públicos, além da agenda liberal. De lá para cá, contudo, a pauta ficou de lado, com a interferência crescente do presidente Jair Bolsonaro nas estatais, reforçando o risco de ingerência política que sempre assombrou o BB.

Outro forte candidato a deixar o colegiado, de acordo com fontes, é José Guimarães Monforte, membro independente e indicado pelo Ministério da Economia.

Por ora, os conselheiros apenas sinalizam que podem deixar o colegiado do BB, mas não batem o martelo, afirma um deles, na condição de anonimato. Isso porque boa parte dos mandatos vence entre março e abril. Logo, podem não ser renovados.

Existem dois cenários possíveis, na opinião de fontes ouvidas pelo Broadcast. Primeiro, o Ministério da Economia, responsável pelas indicações, pode simplesmente não querer renovar os mandatos atuais. Esta poderia ser uma oportunidade de montar um novo conselho de administração para apoiar o futuro presidente do BB. No segundo cenário, diante da insatisfação, os próprios membros podem não querer ter seus ‘contratos’ renovados.

O incômodo do colegiado do BB ficou evidente na esteira da mudança na Petrobras, em ata sobre reunião extraordinária do grupo, realizada no dia 2 de março. Nela, quatro conselheiros do banco demonstraram apoio à gestão de André Brandão após “especulações veiculadas na imprensa sobre a possível e surpreendente substituição do presidente do Banco do Brasil ainda no início de seu mandato.”

O documento foi assinado pelo chairman, Hélio Magalhães, e por Guimarães Monforte. Os dois foram acompanhados de Spinola e Evangelista de Lima, representantes dos minoritários.

Procurado, o BB não comentou.

Esta reportagem foi publicada no Broadcast+ no dia 19/03/2021, às 10:45:21 .

 

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