Consumo cresce e faltam garrafas ‘verdinhas’ para a Heineken

Consumo cresce e faltam garrafas ‘verdinhas’ para a Heineken

Talita Nascimento

03 de dezembro de 2020 | 12h39

REUTERS/Sukree Sukplang

As cervejarias têm encontrado dificuldades para encher as prateleiras dos mercados. A falta de insumos, causada pela retomada rápida do consumo e pelo real desvalorizado, é o principal motivo para os problemas de abastecimento. No entanto, há questões explicitadas pela pandemia que devem impactar as cervejarias, mesmo depois de a indústria voltar à estabilidade. Segundo fontes, o Grupo Heineken no Brasil seria um dos mais afetados.

Nos bastidores, o código é de que faltam “garrafas verdinhas”, marca registrada da Heineken, no mercado. Os vasilhames em questão são do tipo não retornável, que se tornou mais demandado em todas as cores – com a pandemia, o consumidor passou a beber mais em casa do que nos bares e restaurantes.

Indústria de vidro não tem investido

A indústria de vidro não tem investido em capacidade produtiva nos últimos anos. E diz que não o faz porque as grandes empresas, clientes de seus produtos, não estão dispostas a pagar o custo deste investimento.

Assim, a Ambev, que produz as próprias embalagens, sai à frente, enquanto a Heineken não tem a mesma capacidade. Exatamente por isso, o banco Credit Suisse disse que a gigante brasileira, dona das marcas Skol e Brahma, tem benefícios em relação às concorrentes.

“A empresa não deve se beneficiar apenas da integração vertical com sua própria fábrica de latas de alumínio, mas também por ter mais de 60% de suas necessidades de garrafas de vidro fornecidas internamente”, escreveram os analistas.

Falta de garrafas é problema antigo

O presidente da CervBrasil, Paulo Petroni, diz que a escassez de garrafas não retornáveis é um problema que já se arrasta há algum tempo. “O volume de investimento na indústria não acompanha o crescimento das cervejarias”, diz. Assim, as garrafas não retornáveis acabam por ficar mais raras.

O Sindicerv (Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja) diz, em nota, que problemas no fornecimento de insumos vêm afetando diversos segmentos em um contexto atípico motivado pela pandemia. “Especificamente no setor cervejeiro, estamos enfrentando desafios pontuais, mas buscando junto aos fornecedores soluções para a normalização e menor impacto possível ao processo”, disse a entidade.

O presidente executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Vidro (Abividro), Lucien Belmonte, diz que as empresas que têm contratos com as indústrias estão recebendo o que havia sido acordado. No entanto, com a demanda aquecida, os pedidos a mais é que têm tido maior dificuldade.

Em nota, o Grupo Heineken diz que “a questão de falta de produtos em algumas regiões específicas é pontual e reflexo da falta de insumos, como vidro e alumínio, que impacta toda a indústria de bebidas no Brasil”. A companhia afirma que “preza pela reconhecida qualidade de seus produtos acima de tudo e sempre respeitou o processo de produção de suas cervejas, especialmente de Heineken, que possui um processo diferenciado que leva ao menos o dobro de tempo de maturação que as demais cervejas do mercado.”

“Dessa forma, todo e qualquer impacto na cadeia, como os citados acima, tem um impacto ainda maior na disponibilidade de Heineken”, complementa.

Esta reportagem foi publicada no Broadcast+ no dia 01/12/2020, às 17:59:38

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