Contratos de R$ 1 bilhão da Azevedo & Travassos marcam volta da construção pesada

Contratos de R$ 1 bilhão da Azevedo & Travassos marcam volta da construção pesada

Circe Bonatelli

24 de julho de 2022 | 05h30

Construtora conquistou contrato para obras na Rodovia Fernão Dias. Foto: Werther Santana/AE

 

A construtora Azevedo & Travassos, controlada pela gestora Rocket Capital, atingiu a marca de R$ 951 milhões em contratos de obras e serviços assinados – montante que começará a ser convertido em receita nos próximos meses, com o início dos trabalhos.

Nesta semana, a construtora acertou com a Arteris a ampliação da Rodovia Fernão Dias, o que vai lhe render R$ 237,6 milhões. O prazo para execução da obra será de 24 meses. Também nesta semana, a companhia assinou com a Trident Energy um prolongamento por 12 meses no contrato de prestação dos serviços offshore de óleo e gás, por R$ 131 milhões.

Em outro lance importantes neste ano, a Azevedo & Travassos e a Encalso formaram o consórcio que fechou contrato de R$ 350 milhões com a Aena Brasil para execução das obras dos aeroportos de Maceió, Aracaju e Juazeiro do Norte.

A retomada dos contratos de obras simboliza o “renascimento” da construção pesada no Brasil após a quebradeira do setor poucos anos atrás, quando a Operação Lava Jato identificou práticas de corrupção e paralisou atividades. A Azevedo & Travassos não foi alvo das investigações – como Odebrecht, Queiroz Galvão, OAS, UTC e muitas outras – mas sofreu com a queda na demanda por serviços e pela crise econômica instaurada no País.

Receita caiu de R$ 320 mi para R$ 2 milhões

A construtora viu sua receita bruta despencar do patamar de R$ 320 milhões nos idos de 2013 a 2015 para R$ 2 milhões em 2019 (isso mesmo apenas R$ 2 milhões). Ela sofreu principalmente com a paralisação das contratações da Petrobras, uma vez que o setor de óleo e gás respondia pela maior parte do faturamento do grupo até então.

No pior momento, em 2018, a falta de dinheiro levou a Azevedo & Travassos a abandonar as obras de quatro estações da Linha 15 Prata do Metrô de São Paulo – gerando multa pelo governo paulista e relicitação do trecho.

Em 2019, houve uma troca de controle na companhia, com a saída dos fundadores e a entrada da Rocket Capital. De lá para cá, houve renegociações de dívidas trabalhistas e tributárias, além de duas capitalizações de aproximadamente R$ 130 milhões ao todo. Com isso, escapou de uma recuperação judicial.

 

Empresa negocia ‘bilhões’ em contratos

Assim como alguns outros grupos, a Azevedo & Travassos está recuperando o portfólio de contratos. Neste momento, o grupo tem “alguns bilhões de reais” de orçamentos em discussão, e a expectativa é que cerca de 10% sejam assinados em um prazo de seis a nove meses, segundo contou o diretor financeiro, Leonardo Martins. A companhia está de olho em rodovias, aeroportos, saneamento, energia e óleo e gás – este último segmento é tocado pela Heftus, comprada da UTC.

A prioridade, segundo Martins, são os clientes privados porque aí se consegue valorizar a qualidade do serviço e impor margens maiores. Já o ente público prioriza custo baixo e entrega rápida, mas associado a riscos burocráticos.

Nessa retomada, a receita pulou para R$ 25 milhões em 2020 e atingiu R$ 76 milhões em 2021. No ano passado teve lucro de R$ 190 milhões – mas segue sem distribuir dividendos por conta dos prejuízos acumulados.

Esta nota foi publicada no Broadcast  no dia 22/07/22, às 09h55

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