Controlada dos Lemann, Telles e Sicupira, São Carlos entra em locação residencial

Controlada dos Lemann, Telles e Sicupira, São Carlos entra em locação residencial

Circe Bonatelli

02 de julho de 2021 | 05h11

Investimento foi feito em conjunto com a JFL Realty, que tem como sócio o filho de Jorge Paulo Lemann Foto: Valéria Gonçalvez/Estadão

 

Mais um peso-pesado do mercado imobiliário está entrando no promissor segmento de locação residencial, que tem atraído desde startups até incorporadoras tradicionais. A próxima da fila é a São Carlos Participações, controlada pelas famílias Lemann, Telles e Sicupira.

A São Carlos anunciou ontem (1) seu primeiro projeto no novo ramo: a compra do Edifício Olympia Residence, na Vila Olímpia, bairro empresarial de São Paulo. O endereço é próximo dos shoppings Vila Olímpia e JK Iguatemi, além do Parque do Povo.

O ativo foi negociado por R$ 109,5 milhões da incorporadora Fraiha, o equivalente a R$ 16,1 mil por metro quadrado. O prédio tem 136 unidades de um e dois quartos e 7 mil metros quadrados de área privativa. A operação contou com financiamento de R$ 100 milhões, com prazo de 15 anos e custo de remuneração da poupança acrescido de 3,2% ao ano.

O investimento foi feito em conjunto com a JFL Realty, que trabalha no mercado de locação residencial há quase cinco anos. A JFL tem como sócio Jorge Felipe Lemann, filho do bilionário Jorge Paulo Lemann. Na parceria para esse empreendimento, São Carlos terá 60% de participação, e a JFL, 40%.

Após concluída a aquisição, o edifício será repaginado para oferecer aluguel do tipo ‘long stay’, não para diárias, como funciona hoje. “Queremos trabalhar com moradia, não estadia. É para parecer a casa de verdade dos locatários”, explica Carol Burg, sócia da JFL. O plano é alugar os apartamentos por cerca de R$ 150 a R$ 220 por metro quadrado (o que dá em torno de R$ 8 mil para unidades de 45 m2). O valor varia de acordo com os serviços contratados, como limpeza e arrumação.

A São Carlos já é uma das maiores donas de prédios corporativos e centros de conveniências (strip malls). Agora, tem pela frente a intenção de investir em mais projetos de locação residencial, sem, entretanto, revelar o montante dos aportes que pretende destinar ao novo ramo. A empresa avalia erguer empreendimentos novos, comprar e reformar prédios, ou até mesmo converter imóveis comerciais em residenciais. Não há essa obrigação de envolver a JFL nos próximos investimentos.

“Temos objetivos ambiciosos de crescimento no mercado residencial”, ressalta o presidente da São Carlos, Felipe Goes. “O setor de renda residencial é um dos maiores mercados do mundo, o maior setor imobiliário nos Estados Unidos. Aqui, está crescendo e tem natureza segmentada. Vemos oportunidade de consolidação através de gestão profissionalizada”.

Nos Estados Unidos e na Europa, o mercado de aluguel residencial é dominado por grandes corporações, enquanto no Brasil quase 100% dos proprietários são pessoas físicas e pequenos investidores. Mas os juros baixos incentivaram a entrada nesse mercado de empresas como Luggo (do grupo MRV), Cyrela, Vitacon, JFL e as startups Uliving e Vila 11, entre outras.

 

Esta reportagem foi publicada no Broadcast+ no dia 01/07/2021 às 18h49

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